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Pedreiros, motoboys e trabalhadores rurais lideram ranking de acidentes de trabalho em Goiás

Um levantamento realizado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, mostrou que dez profissões em Goiás concentram o maior número de registros de acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026. No topo da lista estão os pedreiros, categoria profissional com o maior número de registros no período. Ao todo, foram 4.939 ocorrências envolvendo esses trabalhadores.

Na sequência, aparecem os motociclistas responsáveis pelo transporte de documentos e pequenos volumes, com 2.512 registros. A diferença entre as duas categorias pode estar relacionada, entre outros fatores, à maneira como os acidentes são comunicados aos órgãos de notificação.

Ao Jornal Opção, o diretor científico da ANAMT, Ricardo Turenko Beça, explicou que os trabalhadores da construção civil geralmente estão vinculados a empresas que possuem equipes próprias de saúde e segurança, o que facilita a identificação e a notificação das ocorrências. 

Já entre os entregadores, muitos acidentes acabam registrados apenas como ocorrências de trânsito, sem que sejam identificados como acidentes durante o exercício da atividade profissional. “Às vezes, essas estatísticas vão aparecer lá nos acidentes de trânsito, mas eles não chegam a ser notificados como um acidente no desempenho do trabalho”, explica.

Diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Ricardo Turenko Beça | Foto: Arquivo pessoal

Para Ricardo, os acidentes envolvendo motociclistas também precisam ser tratados como uma questão de saúde e segurança ocupacional. “Isso não é uma questão só de trânsito. Isso é de saúde e segurança do trabalho, e os entregadores devem, e é direito deles, ter um atendimento de saúde do trabalhador na função que eles têm”, afirma.

O diretor científico também chama atenção para a subnotificação dos acidentes de trabalho, que pode fazer com que a dimensão do problema seja ainda maior do que a apresentada pelo levantamento. Segundo ele, a identificação das ocorrências é fundamental para orientar medidas de prevenção e evitar que situações semelhantes se repitam.

“O correto mesmo é que a gente tenha a notificação do quase acidente e não do acidente. Se você está falando de prevenção, a gente precisa trabalhar nas situações que quase poderiam ter gerado um acidente para que a gente possa eliminá-las antes que gerem um acidente”, explica.

Fonte: ANAMT / Sinan – Ministério da Saúde

Construção Civil

O Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO) acompanha os indicadores de acidentes de trabalho e avalia que o volume de registros precisa ser analisado também em relação ao tamanho do setor. À reportagem do Jornal Opção, a entidade revelou que a construção civil reúne aproximadamente 316 mil pessoas ocupadas em Goiás, o equivalente a 8,2% dos trabalhadores do Estado, conforme dados do PNAD/IBGE de 2025.

Em uma comparação com os dez estados brasileiros com maior número de notificações, o sindicato aponta que Goiás ocupa a sexta posição, com cerca de 58 notificações por 10 mil trabalhadores ao ano. O índice é próximo da média dos estados analisados, de 55 registros na mesma proporção.

Apesar disso, a entidade chama atenção para a incidência de acidentes dentro do próprio Estado. Segundo a análise da presdiente do Sinduscon-GO, Carolina Lacerda, a taxa de acidentes na construção civil é aproximadamente quatro vezes maior que a média registrada nas demais profissões goianas. Por esse motivo, o sindicato afirma que a segurança nos canteiros de obras é tratada como uma prioridade permanente.

Outro aspecto observado pela presidente é a faixa etária dos trabalhadores envolvidos nas ocorrências. De acordo com o levantamento do sindicato, um terço dos pedreiros acidentados tem mais de 50 anos, enquanto mais da metade dos serventes de obras tem menos de 35 anos. Para ela, os dados apontam a necessidade de estratégias diferentes de prevenção, com atenção tanto ao desgaste físico dos profissionais mais experientes quanto à capacitação dos trabalhadores mais jovens.

O sindicato informa ainda que acompanha as estatísticas oficiais do Sinan, do Ministério da Saúde, do IBGE e da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), da Previdência Social. O trabalho de prevenção é desenvolvido em parceria com o Serviço Social da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Seconci-GO), com participação de empresas e trabalhadores.

Leia também: Goiás registra número recorde de notificações de acidentes de trabalho: entenda os riscos de responsabilização do empregador

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Fonte: www.jornalopcao.com.br