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POLICIAL

Por que a Justiça libertou Denis Young Kim, o coreano que matou um idoso e quase matou outro idoso em São Paulo?

José Ricardo dos Santos tem 79 anos. Denis Young Kim tem 43 anos. A diferença entre os dois homens é de 36 anos.

Há também uma diferença de classe social. José Ricardo diz que é analfabeto, mas não ignorante — o que é crível.

Denis Young Kim, formado em Ciências da Comunicação na Califórnia, nos Estados Unidos, se apresenta como empresário.

Há outra diferença crucial entre José Ricardo dos Santos e Denis Young Kim. O idoso é um homem educado e civilizado. O jovem coreano é brutal e insensível.

Denis Young Kim tem automóvel e certamente tem posses. José Ricardo dos Santos é pobre, aposentado — possivelmente ganha no máximo um salário-mínimo —, tem deficiência visual e usa muletas.

Quis o acaso que José Ricardo dos Santos e Denis Young Kim se encontrassem, na semana passada, numa rua da cidade de Osasco, na Grande São Paulo.

Andando com dificuldade, pela idade e porque precisa de muletas, José Ricardo dos Santos — repita-se: não enxerga bem — teria encostado levemente no automóvel de Denis Young Kim. Houve algum estrago? Nenhum.

Denis Young Kim desceu do carro e deu uma voadora nas costas de José Ricardo dos Santos — que, evidentemente, nem viu o que estava acontecendo nem sabe a motivação do coreano naturalizado brasileiro

Dado o golpe, com José Ricardo dos Santos caído, passando mal, Denis Young Kim poderia ter ido embora. Não foi. Pisou na cabeça do idoso com extrema força.

Talvez acreditando que tinha assassinado José Ricardo dos Santos — possivelmente era o que queria, tal a violência —, o samurai da maldade Denis Young Kim fugiu.

No vídeo que vi, um homem desce de um automóvel e se dirige ao corpo inerte de José Ricardo dos Santos, que havia desmaiado.

Levado a um hospital, com dores nas costas e na cabeça, foi atendido por médicos que, seguramente, devem ter ficado perplexos com o que viram e ouviram. Um homem de quase 80 anos foi espancado, com extrema violência, e deixado na rua… para morrer.

Entrevistado pela Globo, José Ricardo dos Santos, com certa candura, disse: “Foi maldade. Não fiz nada pra ele”.

Denis Young Kim parece não gostar de velhos e pobres. Em 2016, há dez anos, o samurai do mal, depois de uma discussão com um homem de mais de 70 anos — tão ou mais pobre do que José Ricardo dos Santos —, o atacou.

No Bom Retiro, bairro da região central de São Paulo, Denis Young Kim decidiu retirar de cena Aldemir Ribeiro Pontes, de mais de 70 anos. Noutras palavras, o coreano matou o homem com uma flecha manipulada habilmente.

Preso e condenado em 2021 a 14 anos de reclusão em regime inicial fechado, Denis Young Kim foi encaminhado pela Justiça para um presídio. Não se sabe por quê, mas não cumpriu nem a metade da pena e ganhou, mais uma vez, as ruas e cometeu novo crime.

Denis Young Kim está livre desde 1º de setembro de 2025. Houve progressão de pena para o regime aberto. A imprensa não buscou saber por que um juiz decidiu soltá-lo. Será que pediu um laudo psiquiátrico para saber se o assassino seria capaz de delinquir mais uma vez?

Por que estou escrevendo este texto? Porque duas cenas me comoveram e me deixaram triste por longo tempo. O jornalista e escritor Paulo Francis gostava de dizer que chegou a pensar que a barbárie era provisória, mas acabou concluindo que é permanente.

Primeiro, a violência gratuita e bárbara praticada por Denis Young Kim contra um homem velho e indefeso. Segundo, porque, no hospital, José Ricardo dos Santos não atacou verbalmente seu agressor. Pelo contrário, só quer entender o que aconteceu — porque nem enxerga direito. “Sou analfabeto, mas não sou ignorante”, sublinhou.

Há um humanismo explícito na fala de José Roberto dos Santos — que não pôde estudar; trabalhar, por certo, era a prioridade — e na busca, pacífica, do entendimento dos fatos. Quanto a Denis Young Kim há o que se pode nominar de maldade gratuita. Um mal pensado, articulado e prático.

A Justiça precisa condenar Denis Young Kim, pela segunda vez, agora por tentativa de assassinato. Para a sociedade, é importante que seja retirado de circulação por muitos anos. Deveria ser liberado ao completar 79 anos.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br