Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta o terceiro ano consecutivo de retração no efetivo pecuário estadual; alta taxa histórica de descarte de fêmeas explica o ajuste, com perspectiva de recuperação gradual apenas a longo prazo.
A pecuária de corte de Mato Grosso registrou mais um recuo em seu rebanho total, refletindo os ciclos de ajuste da atividade no campo. Dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações oficiais do IBGE, apontam que o rebanho bovino mato-grossense recuou 3,68% em 2025, encerrando o período com 31,65 milhões de cabeças.
Apesar da retração — a terceira consecutiva observada nas estatísticas anuais do Estado —, Mato Grosso seguiu soberano na liderança nacional, concentrando isoladamente 13,51% de todo o efetivo de bovinos do Brasil.
O ciclo pecuário e o impacto do descarte de fêmeas
A queda registrada no território mato-grossense superou a média nacional. De acordo com o consolidado analisado pelo Imea, o rebanho brasileiro somou 234,25 milhões de cabeças em 2025, o que representou uma retração de 1,66% em relação a 2024. Enquanto a média dos demais estados apresentou baixa de 1,34%, a queda em Mato Grosso foi mais acentuada (3,68%).
Com o resultado, o Estado acumulou uma redução de 2,60 milhões de animais desde o pico histórico alcançado em 2022, quando o rebanho mato-grossense atingiu a marca de 34,25 milhões de cabeças.
Segundo a análise técnica do Imea, o movimento de baixa é plenamente compatível com o elevado ritmo de descarte de fêmeas registrado nos anos anteriores. A liquidação e a menor retenção desse grupo de animais comprimiram o estoque geral e ajudam a explicar a atual restrição na disponibilidade de bovinos para reposição e abate.
Projeções para 2026: recuperação gradual
Para o ciclo de 2026, as projeções do Imea indicam que a tendência de ajuste ainda deve persistir, com expectativa de uma nova retração no rebanho bovino mato-grossense no curto prazo.
Como os reflexos de estratégias voltadas à retenção de matrizes e à recomposição de planteis demoram a surtir efeito prático na curva de crescimento zootécnico, a recuperação do efetivo estadual ocorrerá de maneira gradual e cadenciada, mantendo o foco do pecuarista na eficiência de carcaça e no abate precoce.
Fonte: cenariomt.com.br

