Relatório aponta que Missionárias faziam rodízio sexual com presos na Penitenciária Central de MT

As Faixa Rosa Evangélica

Daffiny Delgado. Repórter | Estadão Mato Grosso

Um relatório elaborado pela Polícia Civil sobre a Operação Fariseus, revelou a existência de um grupo, denominado “As Faixa Rosa Evangélica”, ligado ao projeto religioso Resgatando Vidas, mantinham relacionamentos amorosos e sexuais com presos e integrantes do Comando Vermelho dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

De acordo com o documento, o grupo era administrado por Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, que foi presa no dia 16 de julho por prestar apoio comunicacional, financeiro e logístico ao CV, utilizando o projeto religioso Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, ligado à igreja onde seus pais são pastores, em Cuiabá.

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Entre os membros o grupo está, Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araujo dos Anjos, conhecida como “Mary/Maryyy”, Lais Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, a “Lolo”.

As conversas extraídas dos aparelhos e contas das investigadas indicariam vínculos pessoais e amorosos com presos e faccionados em liberdade, além de acesso a informações internas da PCE, recebimento de valores e benefícios e intermediação de contatos e favores.

Uma das conversas consideradas mais explícitas ocorreu em 2 de fevereiro de 2026. Na ocasião, Wiara apresentou às demais integrantes o que chamou de “lista da PCE”: “Minha lista da PCE / L / P / R / T”. Segundo o relatório, as iniciais seriam compatíveis com Leonardo de Jesus, o “Buxudo”, Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho/Cotonete”, Renildo da Silva Rios e Teluan.

No mesmo dia, Karolina fez uma referência sexual direta a Pedrinho/Cotonete ao escrever: “Não sei onde vc vai sentar pois quem sentará na cabeça do cotonete sou eu”.

Em outra conversa, as integrantes discutiram abertamente os relacionamentos mantidos com integrantes do CV. Em novembro de 2025, Karolina perguntou a Wiara sobre seus “namorados”, citando “Pe.. ou Re..”. O relatório identifica as referências como Pedro Antônio dos Santos e Renildo da Silva Rios. Na sequência, Karolina afirma que “Seu namorado é o zoio”, em referência a Luiz Fagner Gomes dos Santos, o “Zóio”, e Wiara responde: “Meu sim”.

O relatório também registra uma conversa em que Wiara diz: “Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar a feriado, porque é dia de presídio. (…) vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro”. Para a investigação, o diálogo demonstra uma rotina de visitas e a existência de vínculos pessoais com diferentes presos.

Em outro trecho, Wiara afirma: “Meu sonho é entrar no 6”, enquanto Rhavenna responde: “Seu sonho é ver buxudo”. Wiara então diz: “Quero os dois kkkk”. Posteriormente, em maio de 2026, Rhavenna reproduz uma fala atribuída a Renildo: “Baixinha, você fica tiçando esse velhote. Ah, se eu te pego terça-feira”, ao que Wiara responde: “Terça vai ser toma toma”.

“O teor possui evidente conotação sexual e reforça que as visitas mantidas por integrantes do grupo com determinados presos ultrapassavam a assistência espiritual”, diz trecho de documento.

Rhavenna aparece como o principal elo com a cúpula da facção. O relatório afirma que ela mantinha relacionamento com Renildo, tratado nas conversas como “conselheiro final”, e também havia mantido vínculo com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”.

Em setembro, o Ministério Público de Mato Grosso apresentou denúncia contra seis pessoas relacionadas ao núcleo familiar investigado: Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, Rhuan Barcelos da Conceição e Renildo Silva Rios. Eles foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo a acusação.

As quatro demais integrantes citadas no grupo — Wiara, Karolina, Jéssi e Lais — foram indiciadas pela Polícia Civil por falso testemunho, mas não foram incluídas na denúncia por organização criminosa apresentada pelo MP. Segundo a apuração publicada nesta segunda-feira (14), o Ministério Público avalia a possibilidade de oferecer a elas Acordo de Não Persecução Penal em ação separada.