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POLICIAL

Suspeito de matar a ex atropelada por um caminhão disse que fugiu sem prestar socorro com medo de ser linchado

O medo de ser linchado por populares teria motivado Welber Felipe Teodoro, de 27 anos, a fugir depois de atropelar a companheira, Larissa Pereira Macêdo, de 34 anos, em Aparecida de Goiânia. Segundo a versão apresentada pelo suspeito durante depoimento prestado à Polícia Civil nesta terça-feira, 3, ele deixou o local a pé após retirar o corpo da vítima da área do atropelamento e abandonar o caminhão. A informação foi confirmada pelo delegado Eduardo Rodovalho, responsável pela investigação, em entrevista ao Jornal Opção.

“Ele se evadiu a pé do local e abandonou o veículo com receio de ser linchado ou agredido por populares que pudessem ter presenciado a cena. Então, essa é a alegação dele”, afirmou Rodovalho.

Welber se apresentou espontaneamente à Polícia Civil acompanhado de uma advogada e prestou depoimento sobre o ocorrido. O nome da defensora não foi passado pela corporação, o que impossibilitou o contato da reportagem com a defesa do suspeito. De acordo com o delegado, o investigado negou ter agredido fisicamente Larissa e atribuiu o episódio a uma discussão entre o casal.

Ao relatar a versão apresentada por Welber, Eduardo Rodovalho explicou que ele teria tentado deixar o local após o desentendimento, com a intenção de ir à casa de um parente para esfriar a cabeça. Nesse momento, conforme o depoimento, Larissa teria se dependurado na porta do caminhão. “O veículo estava com o vidro fechado. Ele teria avistado quando ela colocou a cabeça ali. Só que, em seguida, ele falou que não a viu mais. E pressupôs, segundo ele, que ela teria se afastado do veículo”, relatou o delegado.

Ainda conforme a versão do investigado, ele continuou dirigindo e, alguns metros adiante, percebeu que havia algo errado. Ao descer do caminhão, teria encontrado Larissa já atropelada. Welber afirmou que retirou o corpo do local, seguiu por mais alguns metros, abandonou o veículo e fugiu a pé.

A versão apresentada por Welber ainda será confrontada com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil. A equipe trabalha na análise de imagens (veja uma obtida no momento do acidente), nos resultados dos exames periciais realizados no veículo e no local do crime, além do laudo cadavérico, que deverá apontar a causa da morte.

Investigação apura possível feminicídio

De acordo com Rodovalho, Welber relatou que a discussão entre os dois teria sido banal e comum na rotina do casal. Mais cedo, eles teriam participado de uma confraternização com outro casal. A Polícia Civil também apura a possibilidade de consumo de bebida alcoólica naquela ocasião, mas a informação ainda não foi confirmada.

Questionado sobre relatos de familiares de que o relacionamento seria conturbado, o delegado afirmou que não havia registros anteriores de violência entre os dois. “Não há nada registrado que relate a ocorrência de violência entre as partes. Então, não tem nada registrado, apesar de haver indicações e rumores de que era um casal que tinha um relacionamento mais conturbado”, explicou.

A investigação foi encaminhada ao Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) e é conduzida, neste momento, como possível homicídio doloso, com a hipótese de feminicídio. Rodovalho ressaltou que a tipificação definitiva dependerá da análise de todos os elementos informativos. “Quando vem para cá, vem já com a indicação de uma prática de homicídio doloso, porque aqui é um grupo de investigação de homicídios. Então, se fosse um delito de homicídio culposo de trânsito, ele não viria para cá. Quando vem para cá, é para ser tratado como possível prática de homicídio doloso, que seria, nesse caso, uma prática de feminicídio”, afirmou.

O delegado também chamou a atenção para o fato de que a filha de Larissa, de 8 anos, teria presenciado a cena. Segundo ele, a situação pode trazer consequências emocionais para a criança. “É uma tragédia familiar, de fato, ainda agravada pelo fato de a criança, que é filha dela e enteada do investigado, ter presenciado toda a cena. Isso é algo que, de fato, pode trazer traumas à criança e é realmente uma tragédia social e familiar que acometeu aquela família”, disse.

Delegado Eduardo Rodovalho, responsável pela investigação | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Larissa morreu na noite de domingo, 1º, no bairro Cidade Vera Cruz I, em Aparecida de Goiânia. Inicialmente tratada como ocorrência de trânsito, a morte passou a ser investigada como possível feminicídio após informações de que a vítima teria sido agredida pelo companheiro antes do atropelamento. Segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Militar, ela teria recebido três socos no rosto.

Leia também: Homem suspeito de matar ex-mulher atropelada com caminhão em Aparecida se apresenta à polícia

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Fonte: www.jornalopcao.com.br