Tentativas de feminicídio crescem 39%. MT está em 2º no país

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Os números revelam que a violência de gênero vai muito além dos casos que terminam em morte

Muito antes de o feminicídio ser consumado, milhares de mulheres enfrentam uma escalada de violência marcada por ameaças, perseguições, agressões físicas e descumprimento de medidas protetivas.

Em Mato Grosso, esse cenário ficou ainda mais evidente em 2025.

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Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Estado registrou 241 tentativas de feminicídio, contra 171 ocorrências em 2024, crescimento de 38,7% em apenas um ano.

O avanço colocou Mato Grosso na segunda posição nacional, atrás apenas do Amapá, em taxa desse tipo de crime.

A taxa estadual alcançou 12,5 tentativas para cada grupo de 100 mil mulheres, mais de três vezes superior à média brasileira, de 3,8. 

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Os números revelam que a violência de gênero vai muito além dos casos que terminam em morte.

Para cada feminicídio consumado em Mato Grosso no ano passado, ocorreram aproximadamente cinco tentativas, indicando que centenas de mulheres sobreviveram a ataques com potencial letal. 

O levantamento mostra ainda que, das 403 tentativas de homicídio contra mulheres registradas em 2025, 241 foram enquadradas como tentativas de feminicídio.

Isso significa que 59,8% dos ataques tinham motivação relacionada à condição de gênero, proporção superior à observada em 2024, quando esse percentual era de 48,9%. 

Na avaliação de especialistas, a tentativa de feminicídio costuma representar o estágio final de um ciclo contínuo de violência.

Em muitos casos, o agressor já havia cometido ameaças, agressões físicas, violência psicológica ou perseguições antes de tentar matar a vítima. 

Os próprios dados do Anuário reforçam esse cenário.

Mato Grosso contabilizou 18.876 ameaças contra mulheres, 9.954 casos de lesão corporal em ambiente doméstico, 2.970 registros de perseguição (stalking) e 3.720 episódios de violência psicológica em 2025.

Também foram registrados 2.292 descumprimentos de medidas protetivas, evidenciando que parte dos agressores continua tendo acesso às vítimas mesmo após decisões judiciais que determinam o afastamento. 

Outro dado preocupante é que sete mulheres assassinadas por feminicídio em Mato Grosso possuíam medida protetiva de urgência em vigor quando foram mortas, número superior ao registrado no ano anterior.

O indicador reforça o debate sobre a necessidade de ampliar os mecanismos de fiscalização e monitoramento dos agressores considerados de alto risco. 

Especialistas defendem que o combate ao feminicídio exige atuação antes que a violência alcance seu estágio extremo.

Para isso, apontam como fundamentais o fortalecimento da rede de atendimento às vítimas, maior integração entre Judiciário e forças policiais, monitoramento eletrônico de agressores reincidentes e ampliação das políticas públicas de prevenção. 

Os números mostram que cada tentativa frustrada representa uma oportunidade de interromper um ciclo de violência que, sem intervenção eficaz, pode terminar em feminicídio. 



Diário de Cuiabá