Um mês depois, Distrito de Inovação de Goiás ainda avança enquanto prepara obras, cursos e chegada de empresas
Um mês após o lançamento oficial do Distrito de Inovação e Inteligência Artificial (DI.IA) de Goiás, o projeto começa a sair da fase de anúncios para a de estruturação, mas os resultados concretos ainda permanecem limitados, embora o governo estadual tenha anunciado investimentos públicos da ordem de R$ 300 milhões e projeções de mais de 1,4 mil empregos diretos na primeira etapa.
Até o início de agosto apenas uma empresa confirmou oficialmente sua adesão ao empreendimento: a multinacional brasileira Semantix, especializada em inteligência artificial, analytics e big data. Inspirado no modelo do Porto Digital, em Recife (PE), o Distrito pretende transformar uma área de aproximadamente 91 hectares do Setor Leste Universitário em um polo de inovação tecnológica, pesquisa aplicada e inteligência artificial.
A proposta envolve a recuperação de prédios públicos, requalificação urbana, formação de mão de obra especializada e atração de empresas nacionais e internacionais de tecnologia. Apesar da dimensão do projeto, o primeiro mês foi marcado principalmente por planejamento institucional, elaboração de projetos de infraestrutura e organização dos programas de capacitação.
As obras ainda não alteraram significativamente a paisagem urbana da região. O Distrito foi oficialmente lançado em 30 de junho no Hub Goiás, centro de inovação administrado em parceria entre o Governo de Goiás e o Porto Digital. Na ocasião, o governador Daniel Vilela (MDB) apresentou o projeto como um dos principais eixos da política estadual de desenvolvimento tecnológico.
A iniciativa começou a ser construída meses antes. Em maio, Goiás ampliou sua cooperação com o Porto Digital. Em junho, foi sancionada a criação da Goiás Tecnologia S.A. e do Banco do Pequi, enquanto um convênio de R$ 78 milhões com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG) consolidou a base científica do futuro distrito.
Desde então, o foco passou a ser a implantação da infraestrutura necessária para receber empresas e centros de pesquisa. A maior parte dos recursos anunciados será destinada à infraestrutura física do Distrito. Dos cerca de R$ 300 milhões previstos pelo Estado:
- aproximadamente R$ 200 milhões financiarão reformas em quatro edifícios públicos;
- cerca de R$ 30 milhões serão destinados diretamente a programas de pesquisa, inovação, bolsas e qualificação profissional;
- o restante integra projetos tecnológicos vinculados ao convênio firmado com o CEIA-UFG, incluindo data center, laboratórios de inteligência artificial e pesquisa em veículos autônomos.
Entre os imóveis previstos para reforma estão o futuro prédio do CEIA-UFG; o anexo da Secretaria de Administração, ao lado do Hub Goiás; um edifício atualmente ocupado pela Secretaria de Meio Ambiente; e a antiga sede da Junta Comercial, que deverá receber a Goiás Tecnologia.
Além das reformas, o plano urbanístico prevê intervenções na Praça Universitária, melhorias na Biblioteca Marieta Telles Machado, expansão da conectividade pública, implantação de ciclovias e reorganização da circulação de pedestres. Até o momento, entretanto, o governo não divulgou cronogramas detalhados para execução das obras nem os recursos já efetivamente liberados.
/**
* nwe-wp-gallery.js
*
* Extraído do bundle (public.js) para uso em arquivo separado.
* Requer:
* – jQuery (window.jQuery)
* – Viewer (a lib usada no bundle; pode ser importada ou estar em window.Viewer)
*
* Estrutura esperada no HTML:
* .nwe-wp-gallery
* .nwe-wp-gallery-img img (imagem principal)
* .nwe-wp-gallery-cont-list
* .nwe-wp-gallery-arrow.left/.right (setas)
* .nwe-wp-gallery-list (container com scroll horizontal)
* .nwe-wp-gallery-list-item (thumb)
* data-original=”URL” (imagem grande)
* data-pos=”1″ (posição para o contador)
* .page span (contador/posição)
*/
(function (global) {
const DEFAULTS = {
selector: “.nwe-wp-gallery”,
viewerOptions: { title: true, url: “src” },
animation: {
scrollMs: 200,
fadeMs: 200,
arrowFadeInMs: 300,
scrollPadding: 10,
scrollMultiplier: 2,
},
};
function getJquery($) {
const jq = $ || global.jQuery;
if (!jq) {
throw new Error(“[nwe-wp-gallery] jQuery não encontrado (window.jQuery).”);
}
return jq;
}
function getViewer(ViewerClass) {
// No bundle ele aparece como “new y.a(…)”.
// Aqui aceitamos via injeção ou via global window.Viewer.
return ViewerClass || global.Viewer;
}
/**
* Liga os eventos e o comportamento do “thumb strip” + setas.
* @param {jQuery} $gallery – container .nwe-wp-gallery
* @param {object} opts
*/
function bindGalleryControls($gallery, opts) {
const $ = $gallery.constructor; // jQuery ref
const $list = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list”);
// Clique nas setas para scroll horizontal
$gallery
.find(“.nwe-wp-gallery-cont-list .nwe-wp-gallery-arrow”)
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
const itemWidth = $list.find(“.nwe-wp-gallery-list-item”).outerWidth();
const step = opts.animation.scrollMultiplier * itemWidth;
let next = $list[0].scrollLeft + step + opts.animation.scrollPadding;
if ($(this).hasClass(“left”)) {
next = $list[0].scrollLeft – step – opts.animation.scrollPadding;
}
$list.animate({ scrollLeft: next }, opts.animation.scrollMs);
});
const $items = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list .nwe-wp-gallery-list-item”);
// Mostra as setas quando o usuário scrolla a lista
$list
.off(“scroll.nweGallery”)
.on(“scroll.nweGallery”, function () {
const $arrows = $(this).parent().find(“.nwe-wp-gallery-arrow”);
if ($arrows.is(“:visible”) === false) {
$arrows.fadeIn(opts.animation.arrowFadeInMs);
}
});
// Força um pequeno scroll inicial (como no bundle)
$list.scrollLeft(1);
// Clique em um thumb: ativa, troca imagem principal, atualiza contador
$items
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
$items.removeClass(“active”);
$(this).addClass(“active”);
const $main = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-img”);
const data = this.dataset || {};
const original = data.original;
const pos = data.pos;
if (!original) return;
const $caption = $main.find(“span”);
const $img = $main.find(“img”);
$img.fadeOut(opts.animation.fadeMs, () => {
$img.attr(“src”, original);
$caption.html(data.caption);
$img.fadeIn(opts.animation.fadeMs);
});
if (pos != null) {
$gallery.find(“.page span”).html(pos);
}
});
}
/**
* Inicializa UMA galeria: Viewer + controles.
* @param {Element|jQuery} galleryEl
* @param {object} options
* @returns {void}
*/
function initSingleGallery(galleryEl, options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);
const ViewerClass = getViewer(opts.Viewer);
const $gallery = $(galleryEl);
if ($gallery.length === 0) return;
// 1) Viewer (clique na imagem e abre lightbox)
if (ViewerClass) {
// Evita duplicar Viewer caso você reinicialize via AJAX/hook
// (a lib geralmente seta “element.viewer”, mas isso depende da versão).
try {
// eslint-disable-next-line no-new
new ViewerClass($gallery[0], opts.viewerOptions);
} catch (e) {
// Se o Viewer não estiver disponível/compatível, segue só com os controles
// para não quebrar a página.
}
}
// 2) Controles (setas + thumbs)
bindGalleryControls($gallery, opts);
}
/**
* Inicializa TODAS as galerias que existem no DOM.
* @param {object} options
*/
function initAllGalleries(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);
$(opts.selector).each(function () {
initSingleGallery(this, opts);
});
}
/**
* Reproduz o comportamento do bundle:
* – Ao DOMContentLoaded inicializa tudo
* – Se existir wp.hooks, registra o addAction para reinicializar galerias inseridas dinamicamente
*/
function bootstrapNweWpGallery(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
global.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function () {
initAllGalleries(opts);
});
// Hook usado no bundle: “nwe_next_post_after_insert”
if (global.wp && global.wp.hooks && typeof global.wp.hooks.addAction === “function”) {
global.wp.hooks.addAction(
“nwe_next_post_after_insert”,
“theme_next_post_after_insert”,
(containerEl) => {
if (!containerEl) return;
const galleries = containerEl.querySelectorAll(opts.selector);
if (!galleries || galleries.length === 0) return;
galleries.forEach((el) => initSingleGallery(el, opts));
}
);
}
}
// Helpers simples (sem depender de libs)
function isObject(item) {
return item && typeof item === “object” && !Array.isArray(item);
}
function mergeDeep(target, …sources) {
if (!sources.length) return target;
const source = sources.shift();
if (isObject(target) && isObject(source)) {
for (const key in source) {
if (isObject(source[key])) {
if (!target[key]) Object.assign(target, { [key]: {} });
mergeDeep(target[key], source[key]);
} else {
Object.assign(target, { [key]: source[key] });
}
}
}
return mergeDeep(target, …sources);
}
// Exports globais (pode trocar para export default se estiver em bundler)
global.NweWpGallery = {
initSingleGallery,
initAllGalleries,
bootstrapNweWpGallery,
};
})(window);
window.NweWpGallery.bootstrapNweWpGallery();

Apenas uma empresa confirmou instalação
Se os investimentos públicos estão definidos, o mesmo ainda não ocorre com o setor privado. Até agosto, apenas a Semantix assinou protocolo de intenções para integrar o Distrito. A empresa deverá atuar com soluções em inteligência artificial, analytics e big data, mas ainda não divulgou valores de investimento, número de funcionários ou cronograma de implantação.
Essa ausência de novos anúncios faz com que, por enquanto, o Distrito permaneça distante das metas divulgadas durante o lançamento. Apesar disso, o governo estadual já concluiu o projeto urbanístico, assinou o primeiro memorando de instalação da Semantix e prepara a abertura de um cadastro para atrair novos empreendimentos de tecnologia interessados em integrar o ecossistema.
Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), José Frederico Lyra Netto, afirmou que as primeiras medidas concretas já estão em andamento e que o objetivo é iniciar as atividades sem aguardar a conclusão das reformas previstas para os edifícios públicos que integrarão o complexo.
“Temos o projeto urbanístico pronto e as primeiras empresas já definindo a vinda para cá. A Semantix, que é uma empresa multinacional habilitada na Nasdaq, já assinou o memorando para vir para o Distrito. Outras empresas também estão nos procurando”, afirmou.
Segundo o secretário, o próprio Hub Goiás passará por adaptações para receber as primeiras empresas. “O Hub vai ser adaptado para receber parte das primeiras empresas, porque não queremos esperar fazer a reforma dos outros prédios para que isso aconteça”, disse.
Um dos principais instrumentos para atrair novos investimentos será uma linha de apoio à pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltada às empresas instaladas no Distrito. De acordo com Lyra Netto, a expectativa é que o programa entre em operação ainda no segundo semestre deste ano.
“A grande aposta nossa para atrair empresas é financiar a pesquisa e desenvolvimento feitas no Distrito. Isso já está bem encaminhado para começar neste segundo semestre de 2026. As empresas que quiserem fazer pesquisa aqui poderão iniciar os processos”, explicou.
Embora confirme negociações avançadas com outras companhias, o secretário preferiu não divulgar nomes antes da formalização dos acordos. “Já tivemos empresas da área de tecnologia e segurança, empresas de inteligência artificial aplicada à saúde nos procurando, mas como ainda não assinamos os memorandos, prefiro não falar”, afirmou.
O governo pretende medir o sucesso do Distrito de Inovação a partir de três indicadores principais: número de empresas e centros de pesquisa instalados, geração de empregos qualificados e transformação urbana da região. “Queremos empresas de tecnologia e centros de pesquisa presentes aqui. Também queremos empregos de tecnologia, porque são empregos que pagam muito e aumentam a renda das pessoas”, disse o secretário.
O terceiro objetivo, segundo ele, é promover a revitalização do Setor Leste Universitário em parceria com a Prefeitura de Goiânia. “Queremos transformar essa região em uma referência de tecnologia integrada ao verde, dentro desse novo conceito de inovação”, afirmou.
Segundo Lyra Netto, a meta de longo prazo é consolidar Goiás como referência nacional em inteligência artificial. “Há outros distritos de inovação no Brasil, mas um distrito voltado especificamente para IA é o primeiro. Nossa visão é consolidar Goiás como um dos principais polos de inteligência artificial do país”, declarou.
Embora ainda não exista uma meta consolidada de geração de empregos, a Secti estima que apenas os imóveis públicos previstos para receber empresas poderão criar milhares de vagas. “A primeira estimativa já aponta algumas milhares de postos de trabalho considerando apenas os prédios que vamos reformar. Depois haverá empresas ocupando imóveis privados da região, e naturalmente esses números aumentarão”, afirmou.
Enquanto as obras estruturais são preparadas, o governo pretende iniciar a organização da demanda empresarial por meio de um cadastro virtual. Segundo o secretário, a plataforma será disponibilizada ainda em agosto para que empresas informem interesse em integrar o Distrito.
“Quem quiser vir para cá poderá informar a área de atuação da empresa, a expectativa de geração de empregos e outras informações. Esse cadastro será lançado virtualmente agora em agosto”, explicou. Hoje, segundo ele, o Hub Goiás funciona como a principal porta de entrada do projeto.
“O epicentro do Distrito é onde estamos hoje, no Hub Goiás. Quem tiver dúvidas ou interesse pode procurar o Hub, que fará essa orientação”, disse. Além do Hub, o secretário destacou que a Praça Universitária e o futuro Centro Estadual de Inteligência Artificial (CEIA), que será instalado nas proximidades, formarão os principais pontos de referência do Distrito.
O modelo adotado por Goiás foi desenvolvido em parceria com o Porto Digital, parque tecnológico instalado em Recife e considerado uma das principais referências nacionais em inovação. Segundo Lyra Netto, a cooperação inclui transferência de conhecimento e elaboração do projeto urbanístico.
“O Porto Digital é nosso parceiro. O projeto urbanístico foi feito por eles. É uma transferência de tecnologia. Eles estão passando para nós a experiência deles, que é o maior caso de sucesso do Brasil em distrito de tecnologia”, afirmou. Apesar da inspiração, o secretário destaca diferenças entre os projetos.
Enquanto o Porto Digital revitalizou o centro histórico da capital pernambucana, Goiás escolheu o Setor Leste Universitário por concentrar universidades e mão de obra qualificada. “Aqui temos muito capital humano. Temos a UFG, a PUC Goiás e um ambiente muito favorável para inovação. Essa foi a lógica da escolha da região”, explicou.
Além da instalação de empresas, o governo pretende transformar o Distrito em um ambiente de experimentação tecnológica. Entre as iniciativas estudadas estão espaços regulamentados para testes de veículos autônomos e operações com drones. “Queremos criar um regramento para ter um espaço para carros autônomos, sem motorista, e também para entregas por drones. A população poderá ver a tecnologia funcionando na prática”, afirmou.
O secretário ressaltou, porém, que a consolidação do projeto será gradual. “Isso não acontece rapidamente. O Porto Digital levou cerca de 20 anos para chegar onde chegou. Sabemos que essa é uma construção de longo prazo, mas o primeiro passo foi dado”, disse.
Durante a entrevista, Lyra Netto também comentou a portaria publicada pelo governo estadual que estabelece diretrizes para tornar prédios públicos mais resistentes às altas temperaturas, com medidas como plantio de árvores nativas, telhados verdes e soluções para eficiência energética.
Segundo ele, a iniciativa já começou a ser implementada por meio do Projeto Oásis, inicialmente nas Escolas do Futuro. “Nós começamos pelas Escolas do Futuro, que estão se tornando escolas verdes. Queremos reduzir a temperatura, aumentar a umidade, criar biodiversidade local e melhorar a eficiência energética”, explicou.
Entre as medidas adotadas está o plantio de árvores adultas, reduzindo o tempo necessário para formação da cobertura vegetal. “Em vez de plantar mudas, que demoram muitos anos para crescer, estamos plantando árvores adultas. É um projeto integrado ao ensino e muito interessante”, afirmou.
Segundo o secretário, já existem intervenções em andamento nas unidades de Santo Antônio do Descoberto e Bittencourt, em Goiânia, enquanto Valparaíso deverá receber a próxima etapa. A intenção, segundo ele, é expandir o modelo para outros equipamentos públicos estaduais.
“Queremos começar pelos equipamentos que estão sob responsabilidade da Secretaria de Ciência e Tecnologia, como o próprio Hub Goiás, mas nossa expectativa é que depois isso possa se espalhar para outros prédios do governo”, concluiu. Na primeira fase, o governo estima 1.406 empregos diretos; circulação diária de aproximadamente 3.273 pessoas; e formação de um ecossistema de inovação voltado principalmente para inteligência artificial.
Enquanto as empresas ainda não chegam, a principal frente de trabalho concentra-se na qualificação profissional. O Hub Goiás passou a organizar programas em parceria com o CEIA-UFG, SENAC, Universidade Federal de Goiás e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).
Entre as iniciativas previstas estão a oferta de 1.500 bolsas de formação; residências tecnológicas; programas de aceleração de startups; cursos técnicos; capacitação em inteligência artificial; e eventos, hackathons e oficinas voltados ao empreendedorismo tecnológico. O objetivo é reduzir um dos principais gargalos apontados por especialistas: a escassez de profissionais qualificados para ocupar futuras vagas na área de inteligência artificial.


Primeiras empresas ainda em 2026
O Governo de Goiás pretende iniciar ainda neste ano a ocupação do Distrito de Inovação por empresas de tecnologia. A primeira etapa será a adaptação de espaços dentro do Hub Goiás, no Setor Leste Universitário, enquanto um segundo imóvel, atualmente ocupado pela Secretaria de Estado da Administração (Sead), passará por reforma para integrar o complexo em um prazo mais longo.
Em entrevista ao Jornal Opção, o subsesecretário de Inovação Tecnológica, Raphael Martins, afirmou que o governo já trabalha para preparar os primeiros ambientes destinados às empresas.
“Tem dois imóveis onde a gente já vai acomodá-los em um curto prazo. O primeiro é aqui no Hub. A gente está formatando esse espaço para as empresas ocuparem. Já estamos discutindo com a Semantix e com outras empresas para que tenham um espaço fixo aqui no Hub. Vamos fazer uma pequena intervenção física para acomodar isso”, disse.
Segundo ele, o Hub Goiás, que atualmente funciona como espaço para eventos, estudos e atividades de inovação, passará a abrigar empresas residentes pela primeira vez. “Uma das mudanças importantes nesse primeiro mês é separar um espaço do Hub para ter empresas instaladas. Hoje a gente recebe visitantes, pessoas que vêm estudar ou participar de eventos, mas agora vamos diferenciar esses usos”, afirmou.
A empresa Semantix negocia com o governo como será sua instalação. Raphael Martins afirmou que a definição começaria a ser discutida imediatamente. “A gente vai ter essa conversa literalmente amanhã. Estamos finalizando esse entendimento sobre o Hub. A Semantix já tinha manifestado interesse tanto em ocupar espaços aqui quanto no imóvel da Sead”, explicou.
De acordo com o subsecretário, o governo pretende concluir a instalação das primeiras empresas no Hub até o final deste ano. “A gente entende que até o fim do ano vai ter empresa instalada aqui”, afirmou. Já a mudança definitiva para imóveis maiores dependerá das reformas previstas para o antigo prédio da Sead, localizado nas proximidades do Hub Goiás.
Outro imóvel que fará parte do Distrito de Inovação é o prédio atualmente utilizado pela Sead. Segundo Raphael Martins, a secretaria deverá desocupar o local nos próximos meses para que as obras sejam iniciadas. “Esse imóvel vai ser desocupado pela Sead em alguns meses. O projeto da reforma já está pronto. Depois da reforma, as empresas vão ocupar esse espaço, que também fará parte do Distrito de Inovação”, afirmou.
Ele explicou que, por se tratar de empresas de tecnologia, as adaptações serão relativamente simples. “O imóvel da Sead também é relativamente novo, então são intervenções para dar mais cara de inovação.” Segundo Raphael Martins, o governo também começa a elaborar projetos para outros imóveis anunciados como integrantes do Distrito, embora ainda não divulgue os parceiros envolvidos.
Para avaliar os resultados do Distrito de Inovação, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) pretende acompanhar indicadores ligados ao desenvolvimento econômico e à transformação urbana da região. Raphael Martins afirmou que o sucesso do projeto será medido pelo número de empresas atraídas, novos negócios criados, empregos gerados e investimentos captados.
“Os indicadores básicos são empresas atraídas, empresas criadas, postos de trabalho gerados e recursos de investimento captados por essas empresas”, explicou. Além disso, o governo pretende monitorar fatores relacionados à qualidade urbana do entorno.
“O sucesso também será medido por quanto esse território vai se tornar atrativo para empresas e para as pessoas viverem. Isso envolve mobilidade, áreas verdes, oferta cultural e outros indicadores que tornam o espaço mais interessante.” O subsecretário reconhece que a valorização imobiliária pode ocorrer, mas afirma que o governo pretende conduzir esse processo com cautela.
“Obviamente, vamos trabalhar isso de forma muito responsável para não virar especulação. A gente quer que todos os barcos subam juntos.” Paralelamente à instalação das empresas, o governo também discute intervenções urbanísticas com a Prefeitura de Goiânia, especialmente na região do Setor Leste Universitário.
Segundo Raphael Martins, uma das áreas prioritárias será a Praça Universitária. “A gente já está discutindo com a prefeitura essa agenda urbanística. A Praça Universitária é um espaço onde vamos atuar fortemente em conjunto para tornar toda essa região mais atrativa.”
Ele acrescentou que novas intervenções de identidade visual também deverão ocorrer ainda neste ano. “Por enquanto temos apenas a identidade visual inicial, mas pretendemos até o fim do ano fazer novas intervenções, inclusive na Praça Universitária.”


CEIA/UFG
Segundo a diretora executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Telma Woerle, o centro participa das discussões conduzidas pela Secti, mas as decisões sobre a estrutura administrativa e operacional ainda não foram concluídas.
Em entrevista ao Jornal Opção, a diretora afirmou que, neste momento, não há definições consolidadas sobre a governança do distrito. “O distrito está sendo estruturado. Neste primeiro mês, ainda estamos construindo as ações do distrito. Não tenho nenhuma informação concreta nova para trazer”, disse.
Questionada sobre como será o modelo de governança, Telma ressaltou que as definições dependem da Secti. “Nesse momento eu não posso afirmar nada. Tudo isso depende de definições da própria secretaria, então quem tem as informações atualizadas sobre isso são eles. O CEIA está participando junto com o governo da construção desses instrumentos como parte da parceria.”
Segundo ela, a contribuição do centro decorre da experiência acumulada na articulação do ecossistema de inovação goiano. “Dado o conhecimento do ecossistema e a influência que o CEIA tem junto às empresas, estamos sendo ouvidos pela Secti para a construção desse modelo de governança, de forma que ele possa ser o mais atrativo possível para as empresas se instalarem em Goiás.”
Entre os projetos previstos para o Distrito de Inovação está a construção de uma nova sede para o CEIA. O empreendimento foi anunciado durante o lançamento oficial do distrito, mas ainda está na fase de elaboração do projeto arquitetônico. “Vai ter uma sede que será construída no distrito, mas isso também faz parte desse desenho do modelo de governança. Como vai ser a utilização desse espaço ainda está em processo de consolidação.”
De acordo com Telma, as obras ainda não começaram e não há previsão para o início da construção. “Isso ainda está em elaboração do projeto arquitetônico. Não tenho uma previsão concreta para quando isso será concluído e a construção começar.”
A diretora explicou que a mudança atende ao crescimento da instituição. “A sede atual já não comporta o tamanho e a quantidade de pessoas que trabalham no CEIA. Esse novo espaço está sendo planejado para acomodar os projetos e as equipes, além de proporcionar às empresas que estarão no distrito um acesso mais facilitado.”
Ela acrescentou que o novo prédio deverá beneficiar todo o ambiente de inovação. “Vai beneficiar todo o ecossistema do distrito.” Embora o master plan do Distrito de Inovação reserve uma área para o edifício, a localização exata dependerá do projeto arquitetônico definitivo.
Durante a entrevista, Telma esclareceu que os R$ 78 milhões anunciados recentemente não serão utilizados para a construção da sede do CEIA. Segundo ela, o valor integra um novo convênio firmado entre o centro e a Secti para financiar ações estratégicas em ciência, tecnologia e inovação.
“Os R$ 78 milhões não são para a construção da sede. Eles fazem parte de um novo convênio entre o CEIA e a Secti para o desenvolvimento de diferentes ações.” Ela informou que ainda não existe um orçamento fechado para a construção do prédio.
“Para a construção da sede não há um valor cravado.” Os recursos do convênio serão distribuídos entre sete eixos de atuação. Entre as principais iniciativas estão investimentos em infraestrutura tecnológica, ampliação de laboratórios, desenvolvimento de pesquisas e programas de inovação.
Segundo Telma, parte do investimento será destinada à ampliação do laboratório de veículos autônomos e à aquisição de equipamentos de computação voltados à inteligência artificial. “O recurso será utilizado para investimento em infraestrutura, para ampliação do laboratório de veículos autônomos e para aquisição de infraestrutura de computadores para inteligência artificial.”
Ela acrescentou que o convênio também prevê financiamento para pesquisas de fronteira e desenvolvimento de soluções voltadas ao governo estadual. “Os projetos serão definidos em conjunto com a Secti e com o comitê que será constituído para a governança desse recurso.”
Além disso, o investimento contempla programas de aceleração de startups, ações de repatriação de pesquisadores e iniciativas de capacitação em inteligência artificial voltadas à educação. “Também haverá ações para aceleração de startups, repatriação de pesquisadores e capacitação em inteligência artificial para professores. Ao todo, são sete eixos dentro desse convênio.”


GOtech
A Goiás Tecnologia (GOtech), empresa pública responsável por executar projetos de tecnologia da informação do governo estadual, pretende transferir sua sede para o Distrito de Inovação de Goiânia no início do segundo semestre de 2027.
A mudança integra a estratégia do governo de concentrar, em um mesmo espaço, empresas, universidades, startups e centros de pesquisa voltados ao desenvolvimento tecnológico. Em entrevista ao Jornal Opção, o diretor-presidente da GOtech, João Grego, afirmou que a empresa ocupará o imóvel atualmente utilizado pela Juceg, que será desocupado após a conclusão das obras da nova sede da autarquia.
Segundo ele, a GOtech está na fase de contratação dos projetos arquitetônicos e complementares para adaptação do espaço. “Nós vamos licitar o projeto arquitetônico e os projetos complementares. Acreditamos que as obras possam ser iniciadas ainda este ano e a ideia é que a gente esteja lá no começo do segundo semestre de 2027.”
De acordo com Grego, a presença da empresa no Distrito de Inovação faz parte de um projeto mais amplo de transformação digital da administração estadual. A proposta é que a GOtech atue como principal executora das políticas públicas de tecnologia definidas pelo governo.
“A GOtech vai ser o principal braço executivo das ações de tecnologia do Estado. O Estado define as diretrizes e as prioridades, e a GOtech executa essas ações.” O diretor afirma que a proximidade com universidades, startups e empresas de tecnologia deverá facilitar o desenvolvimento de projetos conjuntos e ampliar a retenção de profissionais altamente qualificados formados em Goiás.
“Hoje Goiás é, sem dúvida nenhuma, o principal polo de inteligência artificial do Brasil. O trabalho desenvolvido pelo CEIA é fantástico e queremos absorver essa mão de obra que hoje muitas vezes acaba indo embora.” Entre os projetos previstos para o Distrito de Inovação, a GOtech pretende consolidar um centro de desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.
Segundo Grego, a empresa já lidera o projeto de IA voltado ao combate ao crime e prepara novas aplicações para modernizar a prestação de serviços públicos. A proposta é utilizar inteligência artificial para tornar o relacionamento entre Estado e cidadão mais simples, automatizado e personalizado.
“A ideia é estreitar a relação do Estado com o cidadão, tornando tudo mais ágil, eficiente e transparente.” Ele cita como exemplo um futuro assistente digital capaz de avisar automaticamente sobre vencimentos de tributos, matrículas escolares ou outros serviços públicos.
“O cidadão não precisaria procurar o Estado. Ele poderia conversar com um assistente digital por voz e resolver questões como pagamento de IPVA, matrículas escolares e diversos outros serviços na palma da mão.” Embora tenha evitado divulgar nomes, João Grego afirmou que, além da Semantix, outras empresas já manifestaram interesse em instalar centros de pesquisa e desenvolvimento no Distrito de Inovação.
“Tem pelo menos meia dúzia de empresas com as quais a gente já se relaciona que manifestaram interesse e sondaram essa possibilidade.” Apesar disso, mesmo questionado, ele evitou citar nomes. Segundo ele, a expectativa é que a procura por espaços aumente ao longo do segundo semestre deste ano e principalmente no primeiro semestre de 2027.
A GOtech estima que o novo ecossistema tecnológico possa criar aproximadamente 2 mil empregos diretos de alta qualificação nos primeiros dois anos de funcionamento. “Eu acredito que a gente consiga, em um intervalo de dois anos, absorver pelo menos 2 mil pessoas em empregos diretos na área de tecnologia de alto nível.”
Apesar do potencial, Grego reconhece que a falta de profissionais especializados continua sendo um desafio para o setor. Segundo ele, a empresa pretende ampliar parcerias com universidades, startups e instituições de ensino para formar mão de obra e acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias.
“A escassez de mão de obra é generalizada. A gente pretende estabelecer parcerias com instituições de ensino e startups para suprir essa demanda e também desenvolver tecnologias.” Na avaliação do presidente da GOtech, o desempenho do Distrito de Inovação deverá ser acompanhado por indicadores relacionados à geração de empregos, produção científica e desenvolvimento tecnológico.
“A gente precisa medir a quantidade de empregos gerados, o número de pesquisas, as inovações que estão surgindo, o quantitativo de pessoas alocadas e o número de projetos que estão saindo dali.” Questionado sobre o que ainda falta para que o Distrito de Inovação alcance resultados semelhantes aos obtidos pelo Porto Digital, em Recife, Grego apontou fatores externos como principal obstáculo.
Segundo ele, maior estabilidade econômica, política e segurança jurídica seriam fundamentais para atrair grandes empresas internacionais ao ecossistema goiano. “O principal desafio são as questões macroeconômicas. Precisamos de mais segurança jurídica e estabilidade política para atrair os grandes parceiros internacionais.”
Apesar disso, o diretor demonstra otimismo com o potencial do projeto. “Vejo uma perspectiva muito boa. Acho que essa iniciativa tem tudo para se transformar em um centro de referência para o Brasil, para a América Latina e, daqui a pouco, para o mundo.” A reportagem tentou contato também com a Semantix, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.


Comparação mostra distância em relação ao Porto Digital
O Distrito goiano foi inspirado diretamente no Porto Digital, considerado um dos maiores parques tecnológicos da América Latina. A diferença entre os dois ecossistemas, contudo, ainda é significativa. Veja:
| Indicador | Porto Digital | Distrito de Goiás |
|---|---|---|
| Empresas | 541 | 1 confirmada |
| Empregos | 24.079 | previsão de 1.406 |
| Faturamento anual | R$ 7,4 bilhões | ainda inexistente |
| Estágio | consolidado | implantação |
O Porto Digital levou mais de duas décadas para alcançar seus números atuais, combinando investimentos públicos, privados, universidades, incubadoras e políticas permanentes de inovação. Em Goiás, o desafio será construir uma trajetória semelhante praticamente do zero.


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