VÍDEO: ‘Gosto dele, mas gosto muito mais de mim. Prefiro andar sozinho’, diz Medeiros sobre palanque de Wellington

PALANQUE DIVIDIDO. Deputado diz que prefere fazer campanha sozinho a dividir espaço com lideranças que, segundo ele, defendem Alexandre de Moraes

Redação | Estadão Mato Grosso

José Medeiros explicou por que não tem aparecido ao lado de Wellington Fagundes durante a campanha

O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) explicou por que não tem aparecido nas agendas de campanha ao lado do candidato ao Governo pelo mesmo partido, o senador Wellington Fagundes. Segundo Medeiros, a distância não é pessoal, mas resultado da aliança com o MDB feita  para ampliar o palanque eleitoral.

Medeiros afirmou que chegou a avisar Wellington e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, de que teria dificuldades para participar de agendas conjuntas após a composição do grupo político em torno da candidatura ao Governo.

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“Eu tinha avisado para o senador Wellington Fagundes e falei para o Valdemar que o palanque dele tinha ficado muito complicado e que a gente não iria estar caminhando juntos. Isso não significa que eu não tenha fidelidade partidária, que não vá votar no senador Wellington. Não significa nada”, afirmou.

Segundo Medeiros, a principal resistência está em dividir espaço com partidos e lideranças que, na avaliação dele, apoiaram decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas aos atos de 8 de Janeiro e à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Entre andar com partidos e pessoas que defenderam aquele ato do Alexandre de Moraes, no dia 8 de Janeiro, ou em relação às pessoas do 8 de Janeiro, que defendem Alexandre de Moraes, que acham que o presidente Jair Bolsonaro tem que ficar na cadeia, eu prefiro andar sozinho”, declarou.

Medeiros ponderou que Wellington, por disputar o Governo do Estado, adotou uma estratégia diferente e optou pela formação de uma aliança mais ampla com outras siglas.

“O senador Wellington, evidentemente, a candidatura dele é de governador, é outra pegada. Ele optou por fazer esse palanque grande, fez o cálculo eleitoral ali e decidiu por andar com esses partidos”, disse.

O candidato ao Senado afirmou que sua postura também busca preservar a identificação construída com o eleitorado bolsonarista. Para Medeiros, aparecer ao lado de determinadas lideranças poderia gerar cobranças de seus próprios apoiadores.

“Eu tenho dificuldade, porque, senão, o que eu vou dizer para o eleitor do Bolsonaro, que está preso nesse momento? Eu vou ter dificuldade. Então é isso. Não é nada pessoal, é simplesmente o meu voto, ele é totalmente conceitual”, afirmou.

Medeiros disse ainda que o eleitor bolsonarista costuma cobrar coerência dos candidatos que recebem seu apoio e citou os casos de Joice Hasselmann e Alexandre Frota, que romperam politicamente com Bolsonaro após terem sido eleitos associados ao então presidente.

“O eleitor, que é chamado bolsonarista, ele observa o perfil. Ele vai votar em você ou não se você estiver dentro daquele perfil dele. No momento que você pisar fora da risca, ele não está nem aí, ele vomita. Dá uma olhada no que aconteceu com Joice Hasselmann, Alexandre Frota e tantos outros”, declarou.

Apesar do distanciamento durante a campanha, Medeiros afirmou que mantém boa relação com Wellington e encerrou a declaração em tom irônico.

“Então eu tenho muito cuidado com isso. Gosto do senador Wellington, mas gosto muito mais de mim”, concluiu.