Do caso Lázaro e comandante do COD a candidato: Coronel Edson Raiado diz que política é continuidade de sua missão
A trajetória do coronel Edson Luiz Souza Melo Rocha, conhecido como coronel Edson Raiado, ganhou projeção nacional a partir da operação que terminou com a captura e morte de Lázaro Barbosa, em 2021. À época, integrante de tropas especializadas da Polícia Militar de Goiás, Raiado deixou os bastidores da atividade operacional para ocupar espaço nas redes sociais e em podcasts. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Raiado faz um relato sobre sua história na PM e como chegou à política. Raiado é candidato a deputado estadual pelo PSD.
A projeção, porém, não se resume ao caso Lázaro. Antes de se tornar conhecido nacionalmente, Raiado passou por diferentes áreas da segurança pública e comandou unidades de atuação especializada, entre elas o Comando de Operações de Divisas (COD). Foi justamente à frente da unidade que, segundo ele, Goiás viveu um período de forte enfrentamento contra grupos criminosos, marcado por sucessivos confrontos e operações nas divisas do Estado.
Do COD ao combate ao crime
Raiado afirma que houve um período em que os criminosos passaram a desafiar diretamente as forças policiais. Para ele, a reação das tropas especializadas contribuiu para modificar o cenário da criminalidade em Goiás. “Teve períodos em Goiás que foi necessário ir para o enfrentamento porque o bandido não tinha medo da polícia”, afirmou.
Segundo o coronel, a atuação do Comando de Operações de Divisas (COD) e de outras tropas produziu um efeito que se tornou conhecido por uma frase do então governador Ronaldo Caiado: “muda de estado, ou muda de profissão”. Na avaliação de Raiado, parte dos criminosos que não foi presa ou morta em confrontos deixou de atuar em Goiás. “Isso se deve muito à atuação firme do COD e do Comando de Divisas com Goiás afora”, declarou.
O coronel explica que o COD possui uma característica diferente da Rotam, embora as duas unidades tenham emprego tático. Enquanto a Rotam tem atuação predominantemente metropolitana, o COD trabalha em todo o território goiano, especialmente nas regiões de divisa. “A Rotam é metropolitana; o COD é o Estado inteiro”, resumiu.
Raiado relembrou uma operação realizada em território do Tocantins, na qual, segundo seu relato, policiais permaneceram por 37 dias em uma área de mata para localizar integrantes de uma quadrilha. Ao final da ação, seis pessoas foram presas e 19 criminosos morreram em confrontos, de acordo com o coronel. Inclusive, nessa operação, um dos marginais foi devorado por um jacaré, tendo em vista que o confronto se deu na região da Ilha do Bananal, um local com muitos lagos infestados pela espécie.

O caso Lázaro e o nascimento do “Raiado”
O apelido que hoje acompanha o nome político do coronel surgiu justamente depois da operação Lázaro. Segundo ele, nas entrevistas e aparições públicas posteriores à operação, passou a ser chamado de “Raiado” em referência ao símbolo associado à Rotam. O apelido ganhou força nas redes sociais e acabou se tornando sua principal identificação pública.
A operação que terminou com a morte de Lázaro Barbosa é apontada por Raiado como o principal momento de sua projeção. Ele conta que sua equipe permaneceu 11 dias no terreno sem sair da área durante a operação e que, após o desfecho, a repercussão nacional fez com que sua imagem deixasse definitivamente os bastidores da atividade policial.
Foi nesse contexto que a política entrou no horizonte do coronel. Ele afirma que nunca havia planejado disputar eleições e que era, até então, “apático” em relação à política. Segundo seu relato, depois da operação Lázaro recebeu um convite do então governador Ronaldo Caiado para disputar uma eleição.
Na primeira experiência eleitoral, Raiado afirma ter conquistado 19.811 votos, mesmo com uma campanha feita com poucos recursos e sem estrutura política tradicional. Segundo ele, foram 25 mil seguidores conquistados nas redes sociais e quase 20 mil votos nas urnas.
Agora, na disputa para deputado estadual, o coronel afirma que chega ao processo eleitoral com um propósito mais definido. Para ele, a entrada na política deixou de ser apenas uma consequência da repercussão alcançada na segurança pública e passou a representar uma nova etapa de sua trajetória.
“Eu me coloco na política como uma pessoa que vem de fato dar continuidade a uma missão e agora em um outro plano”, afirma.
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