Acusado de matar esposa e ocultar corpo vai a júri popular em Cuiabá

Reprodução



Jackson Pinto da Silva (detalhe) é acusado de matar a esposa, Nilza Antunes, de 64 anos, e ocultar o corpo da vítima. Ela vai ao Tribunal do Júri

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu levar a júri popular Jackson Pinto da Silva, acusado de matar a esposa, Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, e ocultar o corpo da vítima.

O crime ocorreu na manhã de 4 de maio de 2026, no bairro Parque Cuiabá, na Capital.

Na mesma decisão, o magistrado manteve a prisão preventiva do réu, que responderá perante o Tribunal do Júri pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.

Leia também:

Mato Grosso está entre os estados que mais esclarecem homicídios

A decisão acolhe a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que sustenta que Jackson matou a esposa enquanto ela dormia, utilizando uma braçadeira de nylon para provocar asfixia mecânica.

Segundo a denúncia, a mulher foi surpreendida durante o sono e não teve qualquer possibilidade de defesa.

Para o MP, o homicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar e foi motivado por menosprezo à condição de mulher, circunstâncias que qualificam o crime como feminicídio.

Ao decidir pela pronúncia do acusado, o juiz entendeu que há provas suficientes da materialidade dos crimes e indícios de autoria para que o caso seja analisado pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri.

Entre os elementos considerados pelo magistrado estão o laudo de necropsia, que apontou morte por asfixia mecânica, a localização do corpo no local indicado pelo próprio acusado, provas periciais, registros telemáticos, documentos, depoimentos de testemunhas e a confissão prestada por Jackson durante a audiência de instrução.

MOTIVAÇÃO PATRIMONIAL – De acordo com o Ministério Público, além do contexto de violência doméstica, o crime também teve motivação patrimonial.

Conforme a denúncia, após matar a esposa, o acusado teria adotado medidas para assumir o controle dos bens e valores da vítima, incluindo a transferência de R$ 18 mil do cartão de crédito de Nilza para sua própria conta bancária.

As investigações apontam ainda que Jackson transportou o corpo até outro imóvel pertencente à mulher, também localizado no bairro Parque Cuiabá.

Segundo o MP, ele havia contratado previamente um serviço de escavação, sob o argumento de que construiria uma fossa no terreno.

O local teria sido utilizado para enterrar o cadáver, configurando o crime de ocultação de cadáver.

FALSO DESAPARECIMENTO – A denúncia também relata que, após ocultar o corpo, o acusado tentou dificultar as investigações.

De acordo com o Ministério Público, Jackson procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência comunicando falsamente o desaparecimento da esposa, numa tentativa de desviar a apuração dos fatos.

Essa conduta fundamentou a acusação pelo crime de comunicação falsa de crime.

Com a decisão de pronúncia, o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, em data que ainda será definida pela Justiça.

Além da condenação criminal, o Ministério Público requereu a fixação de um valor mínimo de indenização para reparação dos danos causados aos familiares da vítima.



Diário de Cuiabá