Casos de Brennand e Robinho em ‘Tremembé 2’ vão aprofundar ‘a culpa e o castigo’, afirma diretora



Marina Ruy Barbosa (ao centro) em preparação para ‘Tremembé 2’

As gravações da segunda temporada da série “Tremembé”, do Prime Video, se encerram nesta quarta (1º). Para ambientar os episódios que retratam detentos do regime fechado, como Thiago Brennand (João Vicente de Castro), Robinho (Ícaro Silva) e Dominique Scharf (Giovanna Antonelli), a produção rodou cenas em um prédio desativado da antiga Febem (atual Fundação Casa), na rodovia Raposo Tavares, em São Paulo.
A coluna acompanhou a gravação de cenas no complexo inativo e conversou com os criadores na quinta (25).

Segundo a roteirista e diretora da série Vera Egito, o novo regime e as histórias de Brennand e Robinho, condenados por crimes sexuais, trazem mudanças no tom da série. “Nessa temporada, a gente aprofunda a culpa e o castigo”, afirma. Para ela, é necessário que o espectador sinta que essas pessoas estão sendo punidas pelo que fizeram.

Já Scharf, presa por estelionato, é a primeira personagem que não foi condenada por crimes violentos. Segundo os criadores, isso primeire que ela seja abordada com um pouco mais de leveza em relação às apresentadas anteriormente, como Suzane von Richthofen (Marina Ruy Barbosa), Elize Matsunaga (Carol Garcia) e Anna Carolina Jatobá (Bianca Comparato).

“A primeira temporada mostrava o semiaberto, que é onde tem aqueles beliches e as pessoas convivem de uma maneira um pouco mais livre dentro. O regime fechado é o mais clássico de um presídio, as pessoas ficam enclausuradas nas celas e têm só duas horas de banho de sol”, explica o jornalista Ullisses Campbell, criador e roteirista da série.
“A interação no regime fechado só acontece naquelas horas, como se fosse o horário do recreio numa escola. No semiaberto, é recreio o dia inteiro. Eles podem assistir televisão no ambiente coletivo, fazer festas, ir na cama do outro”, diz ele.

Com estreia prevista para 2027, Tremembé 2 também mostra a vida dos personagens originais fora da cadeia. “Elas [Suzane e Elize] saem com a vida zerada, tentando seu lugar ao sol. Será que a sociedade vai aceitar essas assassinas de volta?”, questiona Egito.

Para os roteiristas, as cenas da série que provocam riso, como quando o ex-médico Roger Abdelmassih (Anselmo Vasconcellos), condenado a 181 anos de prisão por 37 estupros, exige ser chamado de “doutor” pelos policiais penais, não são de humor, e sim irônicas. “É um riso de nervoso, do absurdo. E é a mais pura verdade. Ele não vem da graça, vem do incômodo”, afirma Campbell. “É baseado em fatos surreais”, completa Egito.
A diretora também reforça que a produção busca preservar a imagem das vítimas e se concentrar na vida após a condenação. “Na hora do crime, a câmera nunca mostra a vítima, não mostra sangue. Na segunda temporada, tem crimes de violência contra a mulher e não existe nenhuma imagem de mulher em sofrimento. A ideia é focar na mente criminosa, na pessoa que foi capaz disso”, afirma.



Diário de Cuiabá