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POLÍTICA

Casos de Mpox caem de 38 para dois em Goiás, e SES descarta surto da doença

Goiás registrou dois casos confirmados de Mpox em 2026, contra 38 em 2025, uma redução de aproximadamente 95%. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), neste ano foram contabilizadas 167 notificações suspeitas, das quais uma permanece em investigação. Em 2025, o estado havia registrado 274 notificações. Nenhuma morte pela doença foi confirmada nos dois períodos.

Em entrevista ao Jornal Opção, a coordenadora de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) da SES-GO, Luciene Tavares, afirmou que Goiás não enfrenta um surto de Mpox. Apesar do cenário considerado tranquilo, a Secretaria mantém o monitoramento diante do aumento de casos em outros estados, especialmente no Rio de Janeiro. Segundo Luciene, a circulação de pessoas entre diferentes regiões exige atenção das equipes de saúde.

“Gera um alerta, porque, principalmente, os casos são pele a pele, e as pessoas estão se deslocando de um estado para o outro”, afirmou. A coordenadora informou que a SES recebeu, nesta semana, duas notificações de moradores do Entorno do Distrito Federal que participaram de uma festa em São Paulo.

Os casos ainda estão sob investigação. A orientação, segundo Luciene, é manter a atenção sem provocar alarme na população. “A população não precisa ficar alarmada. Tem que ficar em alerta, mas não alarmada”, destacou. Desde o surto de 2022, Goiás não registrou mortes confirmadas pela doença.

A maioria dos pacientes que tiveram diagnóstico de Mpox apresentou quadros leves ou moderados. A coordenadora citou apenas um caso que exigiu maior atenção, em 2025. O paciente vivia com HIV sem tratamento e já apresentava um quadro avançado de Aids, o que dificultou a evolução clínica.

O Ministério da Saúde informou que o Brasil registrou 665 notificações de Mpox até outubro de 2026. Apesar disso, o número representa uma queda de 94% em relação a 2022, quando o país contabilizou 10.821 notificações, em meio à disseminação global do vírus.

A tendência de redução também aparece na comparação com os anos mais recentes. Segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 1.074 casos em 2025, contra 1.989 em 2024. Em nota, a pasta afirmou que “mantém vigilância ativa em articulação com estados e municípios” e que “o SUS está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos da doença”.

Varicela é confundida com Mpox em notificações

Um dos desafios enfrentados pelas equipes de saúde é diferenciar a Mpox de outras doenças que provocam lesões na pele, especialmente a varicela, conhecida popularmente como catapora. De acordo com Luciene, os sintomas podem ser semelhantes, o que leva profissionais a solicitar exames para descartar a infecção pelo vírus Mpox.

Em 2026, Goiás contabilizou 171 notificações suspeitas. Desse total, 63 foram identificadas como casos de varicela, enquanto apenas dois tiveram confirmação de Mpox. “Como os profissionais de saúde ficam inseguros, qualquer sinal de alerta já pede para fazer o exame para verificar se é Mpox. A maioria dos nossos casos notificados é varicela”, explicou.

A coordenadora ressaltou que nem todas as notificações correspondem a uma das duas doenças. Durante a investigação, também são identificados outros diagnósticos. A Mpox é uma doença viral causada pelo vírus Mpox, pertencente à família Orthopoxvirus.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões na pele, secreções corporais, materiais contaminados e contato próximo e prolongado com pessoas infectadas. Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça, aumento dos gânglios linfáticos, dores musculares e o aparecimento de lesões na pele ou nas mucosas.

As lesões podem surgir em diferentes partes do corpo e são uma das principais características da infecção. Luciene recomenda que pessoas com sintomas compatíveis procurem uma unidade de saúde para avaliação e diagnóstico diferencial. “Qualquer tipo de lesão acompanhada de febre é indicativo de procurar o sistema de saúde”, orientou.

Doença exige atenção maior de imunodeprimidos

A Mpox não costuma evoluir para quadros graves na maioria das pessoas. O tratamento é voltado principalmente ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações. O maior risco está entre pessoas imunodeprimidas, que podem apresentar maior vulnerabilidade às complicações da infecção.

“Quem tem que ter um pouco mais de cuidado são as pessoas imunodeprimidas, porque o sistema imunológico afeta muito a própria evolução das lesões. A pessoa fica mais vulnerável”, afirmou a coordenadora.

Goiás mantém doses da vacina contra a Mpox destinadas a pessoas que vivem com HIV/Aids e apresentam contagem de CD4 inferior a 200 células. Segundo Luciene, a procura pelo imunizante é baixa e não há registro de desabastecimento no Estado. Atualmente, a SES dispõe de aproximadamente 600 doses em estoque.

A solicitação pode ser feita pelas regionais de saúde, que encaminham o pedido à Gerência de Imunização. A coordenadora informou que a vacinação é anual e destinada ao público considerado mais vulnerável a formas graves da doença. O imunizante não está disponível de forma ampla para toda a população.

Entre as principais medidas de prevenção estão evitar contato direto com lesões suspeitas, higienizar frequentemente as mãos e não compartilhar objetos pessoais. A SES também recomenda procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis com a doença.

Luciene, porém, alerta para a importância de seguir os protocolos de investigação. Segundo ela, o Estado recebe um volume elevado de solicitações de exames para Mpox que, posteriormente, não se confirmam. “É preciso tomar bastante cuidado com o tipo de lesão, atender ao protocolo e encaminhar para exame”, concluiu.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br