“Desde esse dia, eu estou morta também”, diz bióloga acusada de matar jovens atropelados

A bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro afirmou, durante julgamento nesta terça-feira, 23 de junho, que se sente como “uma morta-viva” após o atropelamento que matou os estudantes Ramon Alcides Viveiros e Mylena de Lacerda Inocêncio e deixou Hya Girotto ferida, em Cuiabá, em dezembro de 2018.

“Eu sou uma morta viva, desde esse dia eu estou morta também. Minha vida acabou”, declarou.

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Em depoimento, Rafaela disse ainda que enfrenta julgamento social desde o acidente. “Eu sou tida como monstro nessa cidade, quem vai querer se relacionar comigo?”, questionou.

A bióloga negou ter tido qualquer intenção de provocar o atropelamento e afirmou que nunca quis causar mal às vítimas. “Eu não sou um monstro. Nunca tive intenção de fazer mal a ninguém. Eu trabalho com a vida”.

“Se eu pudesse trocar de lugar com alguns deles eu faria. Minha família foi destruída, eu acabei com minha família toda, ninguém tem paz”, completou.

Sobre a dinâmica do acidente, Rafaela disse que havia ingerido quatro cervejas, na boate Malcom, que não estava se sentindo bem e que estava há muito tempo sem se alimentar. Ela ressaltou que deixou o estabelecimento por volta das 5h e seguiu pela Avenida Isaac Póvoas.

“Fiz esse caminho, quando entrei na Isaac vi um aglomerado de pessoas, mas vi que o único espaço à esquerda que estava livre e foi pra onde eu fui. O sinal estava verde. Eu só senti o impacto das pessoas no carro”, pontuou. 

“Se eu tivesse visto as pessoas jamais tinha desviado pra essa pista”.

O acidente ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, em frente à boate Valley.  Mylena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon faleceu horas após ser internado. Hya Girotto foi a única sobrevivente, mas ficou com sequelas.

Laudos do processo apontam que Rafaela estaria sob efeito de álcool e trafegava em alta velocidade no momento do atropelamento. Após a colisão, ela também teria tentado fugir do local, fato negado durante o júri. 

Rafaela foi denunciada pelo Ministério Público por dois homicídios dolosos consumados e um homicídio tentado, todos na modalidade de dolo eventual.



Estadão MT