Gambiarras em arraiás podem ser fatais; Goiás já registra 28 mortes por choque elétrico neste ano
Com a chegada das festas juninas e a montagem de estruturas temporárias em escolas, igrejas, bairros e espaços públicos, cresce também a preocupação com acidentes envolvendo instalações elétricas improvisadas e ligações clandestinas.
Dados da Associação Brasileira de Conscientização para Perigos de Eletricidade (Abracopel) mostram que Goiás registrou 35 acidentes com choque elétrico em 2025. Desses, 28 resultaram em mortes. Em todo o país, foram contabilizados mais de 900 casos no mesmo período.
Segundo o levantamento, mais de 60% dos acidentes elétricos em áreas residenciais estão relacionados a instalações inadequadas, extensões improvisadas, conexões mal executadas e ligações clandestinas. A executiva de Segurança do Trabalho da Equatorial Goiás, Suzane Caires, afirma que o período junino costuma registrar situações de risco decorrentes da busca por energia para abastecer barracas, sistemas de som e iluminação.
“Você sabia que é muito comum que, nesse período, os organizadores de arraiás realizem ligações clandestinas ou até mesmo gambiarras? Isso é muito perigoso. Não façam”, alerta. Entre as situações consideradas mais perigosas estão as chamadas “gambiarras” para alimentar barracas e palcos, além do uso excessivo de extensões, adaptadores e emendas improvisadas.
Segundo a Equatorial Goiás, ligações clandestinas podem provocar sobrecarga na rede, interrupções no fornecimento de energia e acidentes graves. A prática também é considerada crime pela legislação brasileira. Suzane Caires destaca que os números registrados no estado reforçam a necessidade de prevenção.
“Só em 2025 foram 35 acidentes domésticos relacionados com ligações clandestinas e destes, 28 foram fatais. Não queremos que esse número se repita”, afirma. Outro alerta envolve a instalação de bandeirinhas, faixas e outros adornos próximos à rede elétrica. O contato acidental com cabos energizados pode provocar choques, curtos-circuitos e incêndios.
Para eventos de maior porte, a orientação é que os organizadores solicitem previamente a ligação provisória de energia e realizem o dimensionamento adequado da carga elétrica necessária para o funcionamento dos equipamentos. A executiva recomenda que as instalações sejam executadas por profissionais habilitados.
“Você vai providenciar o seu arraiá? Chame a Equatorial Goiás para que faça a sua ligação corretamente. E na sua instalação interna, contrate um eletricista habilitado para tal, para que ele revise todas as suas instalações e faça isso com total segurança”, diz.
Além disso, a realização de eventos em espaços públicos pode exigir autorizações e vistorias dos órgãos municipais competentes, dependendo da estrutura montada. As tradicionais fogueiras de São João também exigem atenção. A recomendação é que sejam montadas em locais abertos e afastados da rede elétrica.
“Jamais coloque fogueira embaixo da rede elétrica, pois pode aquecer os condutores. Com isso, o cabo pode se romper e energizar o solo”, alerta Suzane. Segundo ela, além do risco de choque, o problema pode provocar interrupção no fornecimento de energia para moradores da região.
“Além dos riscos elétricos e dos riscos de choque para a população, você ainda vai deixar toda a sua comunidade sem energia”, acrescenta. A orientação para organizadores é manter palcos, arquibancadas, barracas e estruturas metálicas a pelo menos três metros de distância da rede elétrica.
Em situações que envolvam a rede elétrica, a recomendação é isolar imediatamente a área e impedir a aproximação de outras pessoas. Também não se deve tocar em vítimas ou objetos que estejam em contato com fios energizados. Caso haja cabos rompidos ou caídos, a orientação é manter distância e aguardar a chegada de equipes especializadas.
“Se tiver algum acidente envolvendo a eletricidade, jamais se aproxime da vítima. Desligue a chave geral, ligue para os bombeiros no 193 e acione a Equatorial Goiás”, orienta Suzane. Os serviços de emergência podem ser acionados pelos telefones do Corpo de Bombeiros (193), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, e da Equatorial Goiás, pelo telefone 0800 062 0196.
A executiva também alerta para os riscos da soltura de balões e do uso inadequado de fogos de artifício próximo à rede elétrica. “Façamos uma festa brilhante. Que os fogos sejam utilizados em área livre, jamais em direção à rede elétrica”, conclui.
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