O Jóquei Clube de Goiás prepara a retomada gradual de atividades em sua sede, em Goiânia, enquanto enfrenta uma disputa judicial com a Prefeitura pela desapropriação do imóvel. A diretoria estuda reabrir espaços para práticas esportivas e avalia realizar eventos de carnaval em 2027, em uma tentativa de recuperar a presença da instituição na vida cultural e esportiva da capital antes mesmo da conclusão do processo.
Em entrevista ao Jornal Opção, a presidente do Jóquei Clube, Nivea de Paula, afirmou que a associação já trabalha na reorganização dos imóveis e da própria entidade. Um grupo de 30 profissionais voluntários, entre engenheiros, arquitetos, publicitários, administradores, contadores e advogados, participa do programa Jóquei em Ação, criado para auxiliar na recuperação e na gestão do patrimônio.
A primeira etapa deve começar nesta quinta-feira, 5, com serviços de limpeza e organização da sede. O trabalho inclui a catalogação de documentos, troféus e outros registros históricos, além da digitalização do acervo. A proposta é preservar a memória do clube e preparar os espaços para uma possível retomada de atividades.
“Hoje a associação Jóquei Clube é uma associação civil, a gente não tem receita, nossa receita é mínima. Então, nós estamos fazendo o máximo com o mínimo. Vamos começar pela parte documental, catalogar todos os troféus, todas as memórias que existem ali, todos os documentos, que são muitos. Precisamos preservar a essência de tudo que está ali, que é do Jóquei e do joqueano”, explicou Nivea.
A presidente afirmou que a recuperação será feita por etapas, de acordo a disponibilidade financeira da instituição. A diretoria não prevê, neste momento, uma reforma completa do prédio, mas considera possível colocar algumas áreas em funcionamento antes de uma solução definitiva para a disputa judicial.
Entre as possibilidades está a retomada de atividades esportivas. A associação também avalia aproveitar a estrutura da sede para resgatar parte da tradição carnavalesca de Goiânia. “Estamos pensando no carnaval de 2027, tentando viabilizar talvez um carnaval de blocos. Goiânia tem essa tradição. Talvez possamos fazer uma parte dele no Jóquei Clube, para resgatar a memória do carnaval na cidade, em outro formato, por meio dos blocos”, afirmou.
Disputa pela desapropriação segue na Justiça
O planejamento de retomada ocorre paralelamente ao processo de desapropriação movido pelo município. Segundo Nivea, a Justiça determinou a realização de uma perícia para avaliar o imóvel da sede. As partes já indicaram assistentes técnicos e apresentaram quesitos, mas a data do trabalho ainda não foi definida.
A disputa envolve também o valor que a Prefeitura deverá depositar para obter a posse do imóvel. De acordo com a presidente, o município havia depositado R$ 4 milhões, mas a juíza não aceitou a quantia para autorizar a imissão na posse. A decisão de dezembro de 2025 estabeleceu a necessidade de depósito integral de R$ 55 milhões.
A Prefeitura recorreu, mas o Tribunal de Justiça não concedeu efeito suspensivo ao recurso. O município apresentou nova contestação, à qual o Jóquei já respondeu. A discussão sobre o valor e a posse permanece na segunda instância, enquanto a perícia de avaliação tramita na primeira.
Nivea também questiona a possibilidade de a indenização ser compensada por débitos tributários atribuídos à associação. Segundo ela, parte das cobranças se refere ao período em que a Faculdade Padrão administrava os imóveis. A presidente afirma que a responsabilidade pelos tributos caberia à mantenedora da instituição de ensino, conforme entendimento que, segundo ela, já consta de decisão judicial.
Outro ponto levantado pela direção é a cobrança de IPTU sobre o Hipódromo da Lagoinha. Nivea argumenta que o imóvel é tombado desde 2008 e abriga uma extensa área de preservação ambiental, o que, na avaliação da associação, deveria assegurar isenção ou redução significativa do imposto.
A presidente afirma que a área verde contribui para a absorção da água da chuva e a recarga do lençol freático, além de limitar a possibilidade de ocupação integral do terreno. “Todas essas questões só estão sendo levantadas agora, desde que nós assumimos. As dívidas que o município quer compensar são muito discutíveis. Não tenho certeza de que esse processo de desapropriação será concluído da forma que o município quer, compensando com dívida e não pagando a indenização”, declarou.
Caso a desapropriação seja concluída e a indenização recebida, Nivea afirma que o Jóquei pretende construir uma nova estrutura para continuar funcionando. Enquanto isso, a diretoria busca preservar os imóveis e reativar atividades que não dependam da conclusão do processo.
Hipódromo da Lagoinha mantém corridas e busca parceiro para restaurante
Diferentemente da sede, o Hipódromo da Lagoinha permanece aberto e em funcionamento, com corridas de cavalo. Nivea afirma que a estrutura passou por reparos após um incêndio recente e que a associação está concluindo a reforma da cerca da pista.
A direção também procura grupos interessados em instalar e administrar um restaurante no local. O espaço dispõe de dois pavimentos com vista para a pista de corrida e, segundo a presidente, pode se beneficiar do movimento previsto com a implantação do complexo da Polícia Civil nas proximidades.
“Temos dois andares com vista para a pista de corrida. Estamos tentando viabilizar um restaurante em Goiânia que queira explorar o espaço e ser parceiro do Jóquei Clube. Com a construção do complexo da Polícia Civil, além da presença do Detran, acreditamos que haverá público na região para manter um estabelecimento funcionando diariamente”, disse.
Nivea afirma que a intenção da atual gestão é recuperar gradualmente a estrutura e fortalecer a instituição, independentemente do desfecho da desapropriação. “Esse é o patrimônio do joqueano e nós fomos escolhidos para cuidar dele. É um trabalho difícil e demorado, mas vamos fazer o que nos compete, mesmo que seja por partes, de acordo com as condições que temos hoje”, completou.
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