Justiça nega soltar empresária acusada de mandar matar advogado em Cuiabá
A empresária Julinere Goulart Bentos teve negado um novo pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Presa preventivamente desde maio de 2025, ela é acusada de ser uma das mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. A decisão é do desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal.
A defesa alegou excesso de prazo na tramitação do processo e pediu a revogação da prisão preventiva ou, como alternativa, a aplicação de medidas cautelares.
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Julinere foi pronunciada em 6 de maio deste ano, quando a Justiça decidiu que ela deve ser levada a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu da decisão em 21 de maio, mas o recurso ainda não foi julgado.
O advogado sustentou que a demora não foi provocada pela defesa. Segundo ele, os autos chegaram ao TJMT somente em 26 de agosto e, durante a tramitação, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para analisar um pedido feito pelas filhas de Renato Nery, que querem ser habilitadas como assistentes de acusação.
A defesa questionou a possibilidade de as filhas da vítima participarem de etapas do processo que já foram encerradas. Também argumentou que essa habilitação não poderia provocar a reabertura de fases anteriores.
Outro argumento apresentado no habeas corpus foi o agravamento do estado de saúde físico e emocional da filha adolescente de Julinere. A defesa afirmou que a situação deveria ser considerada para substituir a prisão por medidas cautelares.
Ao analisar o pedido, Giraldelli negou a liminar por entender que não havia uma ilegalidade evidente que justificasse a soltura imediata.
Sobre o excesso de prazo, o desembargador afirmou que é preciso considerar as particularidades do andamento do processo, incluindo as sucessivas remessas dos autos e as diligências determinadas durante a tramitação do recurso.
Para o magistrado, neste momento não é possível concluir que houve uma demora injustificada da Justiça capaz de justificar a revogação da prisão.
A discussão sobre a habilitação das filhas de Nery como assistentes de acusação também não foi resolvida na análise da liminar. Segundo Giraldelli, a questão exige uma avaliação mais detalhada de todo o andamento do processo e das providências determinadas pela Justiça de primeira instância.
O desembargador também considerou que o estado de saúde da filha adolescente já havia sido analisado recentemente pelo juízo responsável pelo processo. Na ocasião, a Justiça examinou os documentos médicos apresentados pela defesa, mas manteve a prisão preventiva por entender que ainda estavam presentes os motivos para a custódia.
Giraldelli afirmou ainda que o pedido de liminar praticamente se confunde com o próprio mérito do habeas corpus. Por isso, entendeu que a análise definitiva deve ser feita pela Terceira Câmara Criminal, após a manifestação das autoridades envolvidas e do Ministério Público.
O juízo responsável pela prisão terá cinco dias para prestar informações. Depois, a Procuradoria-Geral de Justiça deverá apresentar parecer. Só então o habeas corpus será levado ao julgamento do colegiado.
Motivação do crime
Renato Nery foi assassinado a tiros em 5 de julho de 2024, aos 72 anos, em frente ao próprio escritório, em Cuiabá.
Segundo o Ministério Público, o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural de mais de 12 mil hectares localizada em Novo São Joaquim, na região leste de Mato Grosso.
O marido de Julinere, Cesar Jorge Sechi, também responde pelo assassinato e é apontado pela acusação como responsável pela coordenação financeira da execução. O Ministério Público sustenta que o crime foi planejado por uma organização criminosa, com divisão de funções entre mandantes, intermediários e executores.

