Justiça solta policial penal preso por matar enteado e cita indícios de legítima defesa

A Justiça de Mato Grosso concedeu liberdade provisória ao policial penal Jeremias Emerson de Matos, preso em flagrante após matar o enteado, Atlas Iury da Silva Santos, de 21 anos, com um tiro na cabeça, em Cuiabá. A decisão foi proferida nesta quinta-feira, 11 de junho, pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, durante audiência de custódia.

Ao analisar o caso, a magistrada homologou a prisão em flagrante, mas entendeu que há indícios de que Jeremias possa ter agido em legítima defesa, o que afastaria, neste momento, a necessidade da prisão preventiva.

– FIQUE ATUALIZADO: Siga nossas redes sociais e receba informações em tempo real (WhatsAppTelegram e Instagram)

Na decisão, a juíza destacou que os elementos reunidos até agora apontam que a vítima estaria agressiva no momento dos fatos, supostamente sob efeito de álcool e drogas, e teria avançado contra o policial portando uma faca, dando início a uma luta corporal antes dos disparos. A magistrada também considerou o fato de Jeremias ter permanecido no local após o crime e acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Apesar da soltura, Jeremias deverá cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas comparecer a todos os atos do processo, comunicar eventual mudança de endereço e permanecer com o porte de arma suspenso durante a investigação. A arma utilizada no crime também deverá permanecer apreendida.

O caso
O crime ocorreu na manhã de quarta-feira (10), na região do Coxipó do Ouro, zona rural de Cuiabá. Atlas Iury da Silva Santos morreu após ser atingido por um disparo na cabeça durante uma discussão com o padrasto.

Em depoimento à Polícia Civil, Jeremias afirmou que o jovem avançou contra ele armado com uma faca e que os dois entraram em luta corporal. Segundo sua versão, um primeiro disparo não atingiu a vítima e o tiro fatal ocorreu durante o confronto físico.

A versão é investigada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado Nilson Farias chegou a afirmar que os primeiros levantamentos realizados na cena do crime não indicavam, inicialmente, sinais evidentes de luta corporal, circunstância que ainda será esclarecida por meio dos laudos periciais.

As investigações continuam para definir a dinâmica do caso e verificar se houve, de fato, legítima defesa.

 



Estadão MT