Namorada de líderes do CV aciona Justiça contra reportagem do Fantástico e depois desiste
A defesa da “missionária” evangélica Rhavenna Cabeça Barcelos, que foi presa na Operação Fariseus por envolvimento com a facção Comando Vermelho (CV-MT), ingressou com um processo contra a Rede Globo de Televisão para derrubar a matéria do Fantástico intitulada “Louvor e Crime”, divulgada no último domingo, 13 de setembro. Logo após entrar com a ação, ela acabou desistindo da ação.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, Rhavenna foi presa no dia 16 de julho por prestar apoio comunicacional, financeiro e logístico ao CV, utilizando o projeto religioso Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, ligado à igreja onde seus pais são pastores, em Cuiabá.
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No pedido feito à 4ª Vara Cível de Cuiabá, a defesa argumenta que a matéria utiliza informações protegidas por segredo de justiça e promove um julgamento antecipado pela mídia.
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Além disso, foi destacado que a reportagem expõe indevidamente menores de idade, a acusa Rhavenna e o pai, pastor Nivaldo Barcelos, que morreu na semana passada em decorrência de um câncer, de atuarem em prol da facção.
“A divulgação de trechos de mídias obtidas na investigação, em programa de televisão de alcance nacional, sem autorização do juízo criminal e em manifesta quebra do segredo de justiça, constitui ato ilícito gravíssimo”, diz trecho de peça.
“Esse tipo de cobertura jornalística abusiva e pré-condenatória deforma o debate público e gera um julgamento antecipado por parte da população, cuja fúria e clamor social são direcionados de forma irracional contra a Requerente”, acrescenta defesa.
Ainda conforme o documento, a defesa solicita a retirada da reportagem das redes sociais e, caso não seja feito, requer o o direito de resposta proporcional para contestar as acusações, reforçando a necessidade de proteger a honra familiar e a presunção de inocência.
Em caso de descumprimento de eventual decisão, multas que podem chegar aos R$ 300 mil.
Pouco tempo após ingressar com o pedido, ela desistiu da ação.
Relembre o caso
Rhavenna aparece como o principal elo com a cúpula da facção. O relatório afirma que ela mantinha relacionamento com Renildo, tratado nas conversas como “conselheiro final”, e também havia mantido vínculo com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”.
Em setembro, o Ministério Público de Mato Grosso apresentou denúncia contra seis pessoas relacionadas ao núcleo familiar investigado: Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, Rhuan Barcelos da Conceição e Renildo Silva Rios. Eles foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro, segundo a acusação.
As quatro demais integrantes citadas no grupo — Wiara, Karolina, Jéssi e Lais — foram indiciadas pela Polícia Civil por falso testemunho, mas não foram incluídas na denúncia por organização criminosa apresentada pelo MP. Segundo a apuração publicada nesta segunda-feira (14), o Ministério Público avalia a possibilidade de oferecer a elas Acordo de Não Persecução Penal em ação separada.

