Operação bloqueia R$ 41,2 milhões e mira patrimônio de grupo



Operação bloqueia R$ 41,2 milhões de grupo criminoso

 

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (27), em Cuiabá, a segunda fase da Operação Efatá, com mais de 20 ordens judiciais destinadas principalmente a atingir a estrutura financeira e patrimonial de um grupo investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As medidas incluem o bloqueio de mais de R$ 41,2 milhões em ativos financeiros.

A ofensiva é resultado do aprofundamento das investigações iniciadas antes da primeira fase da operação, realizada em dezembro do ano passado. As apurações identificaram movimentações financeiras de grande volume envolvendo investigados, terceiros e empresas. Apenas um dos suspeitos movimentou aproximadamente R$ 295 milhões entre créditos e débitos.

Nesta nova etapa, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão e nove ordens de bloqueio de contas bancárias, cinco delas vinculadas a pessoas jurídicas.

A Justiça também determinou o sequestro de dois veículos e três imóveis — um apartamento e dois terrenos.

Os mandados foram autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá, a partir de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

O objetivo é avançar sobre o patrimônio e os mecanismos financeiros que, segundo a investigação, seriam utilizados pelo grupo, evitando a movimentação, ocultação ou dissipação de bens e valores enquanto prossegue a apuração.

R$ 295 milhões movimentados

A dimensão financeira do caso começou a aparecer na primeira fase da Efatá, deflagrada em 3 de dezembro de 2025.

A investigação identificou operações de grande expressão realizadas por pessoas físicas e jurídicas ligadas ao núcleo investigado. Segundo a Polícia Civil, foram encontrados indícios de utilização de terceiros e empresas e de movimentações sem aparente compatibilidade com a capacidade econômica identificada durante as apurações.

Somente um dos investigados apresentou aproximadamente R$ 295 milhões em movimentações, considerando créditos e débitos.

O valor não significa necessariamente patrimônio ou dinheiro proveniente de atividade criminosa. Ele corresponde ao fluxo financeiro identificado pelos investigadores e integra os elementos analisados para rastrear a origem e o destino dos recursos.

Dinheiro, drogas e veículos

Na primeira fase, a Polícia Civil cumpriu 27 mandados de busca e apreensão.

As diligências resultaram na prisão em flagrante de três investigados e na apreensão de drogas, munições e mais de R$ 650 mil em dinheiro.

Cinco veículos também foram alcançados pela operação. Dois estavam sujeitos a medidas de sequestro determinadas judicialmente e outros três foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

Naquela etapa, a Justiça já havia autorizado bloqueios de contas, sequestro de imóveis e outras medidas cautelares destinadas a atingir a estrutura patrimonial investigada.

Material levou à segunda fase

A nova ofensiva foi desencadeada após a análise do material recolhido em dezembro.

De acordo com a Polícia Civil, o cruzamento das informações permitiu reunir novos elementos e avançar na identificação da estrutura de comando do grupo. A partir desses dados, a Denarc solicitou à Justiça novas medidas de busca e restrição patrimonial.

A investigação procura identificar não apenas os responsáveis pelos crimes apurados, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro.

Esse rastreamento envolve contas bancárias, patrimônio, empresas e eventuais terceiros utilizados nas operações financeiras.

A estratégia desta segunda fase é justamente atingir a capacidade econômica do grupo enquanto os investigadores aprofundam a apuração sobre a origem, movimentação e destino dos recursos.

DESCAPITALIZAÇÃO

Com o bloqueio de R$ 41,2 milhões, contas bancárias, imóveis e veículos, a Polícia Civil busca impedir que recursos sob investigação sejam transferidos ou que o patrimônio seja desfeito durante o andamento do inquérito.

As medidas patrimoniais são cautelares e foram determinadas judicialmente. O bloqueio ou sequestro de um bem não representa, por si só, declaração definitiva de que ele tenha origem criminosa, questão que dependerá do avanço das investigações e da análise judicial.

O nome Efatá vem de uma expressão de origem aramaica que significa “abra-te”. Segundo a Polícia Civil, a denominação faz referência à tentativa de revelar uma estrutura que utilizaria mecanismos financeiros, empresariais e patrimoniais para dar aparência de legalidade aos recursos movimentados.



Diário de Cuiabá