Perícia aponta que caminhão estava 40 km/h acima do limite de velocidade antes de acidente com ônibus na GO-010
O caminhão envolvido no acidente na GO-010, entre Vianópolis e Luziânia, ocorrido na manhã da última sexta-feira, 7, que resultou em pelo menos oito mortes, trafegava acima da velocidade no momento da colisão com o ônibus. Segundo a Polícia Técnico-Científica (PTC), após análise do tacógrafo, foi possível determinar que o caminhão que transportava areia trafegava a 120 km/h, ou seja, 40 km/h acima do permitido na via, que é de 80 km/h. Além dos veículos de grande porte, dois veículos de passeio também se envolveram na batida.
Em entrevista ao Jornal Opção, o perito criminal, Fernando Lerbach, explicou que a dinâmica do acidente está esclarecida: o caminhão invadiu a faixa de rodagem por onde o ônibus trafegava. Isso é possível perceber, inclusive, em uma gravação realizada pelo sistema de monitoramento de uma propriedade rural, que captou o momento exato da batida. Mesmo com a análise do tacógrafo, a perícia ainda vai esclarecer se isso foi o fator que contribuiu para o acidente ou se foi outro: o rompimento de dois pneus do reboque do caminhão, onde estava a carga de areia.
“Nós já conseguimos determinar a velocidade do caminhão. Ele estava próximo de 120 km/h no momento do acidente. Lá tem uma placa regulamentar de 80 km/h. Ele estava vindo no sentido Vianópolis-Luziânia, numa velocidade bem acima da regulamentar para o trecho, mas a outra possibilidade é que dois pneus do reboque do caminhão se romperam. Só que nós ainda não temos como saber se foi antes ou depois da colisão. Então, a gente não tem como precisar isso”, pontuou.
O perito destaca que o tacógrafo do ônibus também foi examinado e que o equipamento constatou que o coletivo trafegava dentro do limite de velocidade permitida no trecho. “O motorista do ônibus não teve nenhuma participação ou culpa no acidente em si. Nós analisamos o tacógrafo tanto do caminhão quanto do ônibus”, disse.
Fernando também descartou que um possível excesso de carga tenha sido determinante para o tombamento do caminhão. “O que pode ter ocasionado o tombamento são essas duas possibilidades: o excesso de velocidade, porque ele não conseguiu fazer a curva — estava na descida —, ou o pneu que se rompeu em momento anterior à batida”, explicou Lerbach.
O perito conta ainda que, além dos tacógrafos, também foi recolhido o DVR do ônibus, que é o equipamento onde fica armazenado as imagens das câmeras de segurança instaladas no interior do veículo. Todo o material foi trazido para Goiânia para ajudar a esclarecer os momentos anteriores e posteriores à colisão. O prazo para que o laudo seja confeccionado é de no máximo dez dias.
“Nós já pedimos brevidade ao pessoal de Goiânia, por causa da repercussão do caso, mas eles têm um prazo legal de 10 dias para a conclusão desse laudo. Apesar de eles terem esses 10 dias, acredito que a gente vai conseguir entregar antes e que, dentro desse prazo, já teremos a conclusão do laudo”, afirmou.
Relembre o acidente
O acidente ocorreu na última sexta-feira, 7, na GO-010, próximo ao povoado de Samambaia. Até o momento, pelo menos oito pessoas morreram. Uma das vítimas não teve a identidade divulgada até a publicação dessa reportagem. As outras sete mortes já haviam sido confirmadas anteriormente, e a lista de vítimas identificadas inclui Maria Milza Pereira Araújo, de 73 anos, e Terezinha de Jesus Pereira dos Santos Gomes, de 74, ambas passageiras do ônibus. Além delas, estavam no coletivo Gabriel Willians de Matos Oliveira, de apenas 1 ano de idade, Silvana Pereira de Melo, de 57 anos, e Anderson Oliveira da Silva, de 47 anos, que viajava como passageiro do caminhão. Já Rodrigo Fernandes, de 30 anos, era o motorista da carreta, e também morreu no local.
O ônibus, que pertencia à Real Expresso – que faz parte do Grupo Guanabara – transportava 45 adultos e três crianças, e havia partido de Taguatinga, no Distrito Federal, por volta das 7h, com destino a Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Em nota oficial, a Real Expresso informou que os passageiros feridos foram socorridos e encaminhados ao Hospital Regional de Luziânia para receber atendimento médico. A empresa ressaltou, ainda, que as causas do acidente permanecem sob investigação pelas autoridades.
Em nota enviada à reportagem, o Hospital Estadual de Luziânia (HEL) informou que dois pacientes que estavam internados no local já receberam alta. Um deles continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Outra vítima, que passou por cirurgia, encontra-se “orientada, lúcida e consciente”, e deve receber alta da UTI para a enfermaria. “O HEL permanece prestando toda a assistência necessária e acompanhando continuamente a evolução clínica dos pacientes”, finaliza a nota.
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