Polícia apreende carros de luxo com faccionados de MT escondidos no RJ

Uma frota de cinco carros de luxo, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, foi alvo de sequestro judicial durante a operação “Dark Route”, deflagrada pela Polícia Civil (PC) contra um núcleo do Comando Vermelho (CV), com atuação no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro. A investigação aponta que os automóveis eram utilizados por integrantes da facção criminosa.

 

Na operação, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e cinco sequestros de um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross, em Várzea Grande e no Rio de Janeiro (RJ). Os veículos são apontados como instrumentos de deslocamento, logística, ostentação e ocultação patrimonial. Cerca de R$ 100 mil também foram apreendidos ontem.

 

“A investigação, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), identificou uma frota de veículos de luxo que circulava entre integrantes do grupo no eixo Rio de Janeiro–Mato Grosso, inclusive com automóveis formalmente registrados em nome de terceiros, embora utilizados por pessoas próximas à liderança”, informou a polícia.

 

Conforme apurado, o núcleo da organização criminosa atuava para garantir proteção a foragidos, manutenção de soldados armados, movimentação financeira, suporte logístico e ocultação patrimonial. Entre os alvos, estão especialmente criminosos homiziados em áreas dominadas pela facção no território fluminense e seus braços financeiros, operacionais, logísticos e patrimoniais em Mato Grosso.

 

O principal alvo da investigação é foragido da Justiça de Mato Grosso e permanece homiziado no Rio de Janeiro, não sendo localizado nesta fase da operação. Entretanto, com as investigações da “Dark Route”, ele passa a contar com mais um mandado de prisão preventiva em aberto, decorrente dos novos fatos investigados.

 

A investigação mostra que sua fuga para o Rio de Janeiro não interrompeu sua atuação no crime. Segundo os elementos reunidos, a liderança continuou utilizando áreas dominadas pela facção como ponto de proteção e articulação, mantendo contato com operadores financeiros, soldados armados, familiares e interpostas pessoas.

 

O sequestro dos bens integra a estratégia de descapitalização do grupo, buscando retirar não apenas os integrantes de circulação, mas também os bens utilizados para sustentar sua logística e demonstrar poder econômico.

 

BASE OPERACIONAL NO RJ – Segundo a Polícia Civil, o Rio de Janeiro não é utilizado pelos investigados apenas como esconderijo para os integrantes da facção criminosa. Os elementos reunidos indicam que a estrutura instalada no Estado fluminense funcionava como uma base de proteção, comando e articulação, concentrando foragidos da Justiça de Mato Grosso, integrantes da facção denominados “soldados armados” e pessoas responsáveis pelo suporte à liderança.

 

A base no Rio de Janeiro funcionava como um entreposto operacional, para onde iam foragidos e soldados e de onde eram mantidas conexões com as atividades desenvolvidas em Mato Grosso. Parte dos integrantes estava instalada no Complexo do Alemão.

 

FUZIS DE USO RESTRITO – As investigações apontaram ainda que o grupo investigado possui capacidade bélica, sendo identificados integrantes portando e efetuando disparos com fuzis de uso restrito, além de registros relacionados à guarda e ao remanejamento de armas e munições.

 

Levantamentos feitos durante a investigação mostram soldados armados em território dominado pela facção e o manejo de fuzis com referências à facção criminosa e ao apelido da liderança investigada.

 

Antes da deflagração, um dos alvos teve o mandado de prisão cumprido na quinta-feira, 20 de agosto. O investigado, apontado como um dos auxiliares da liderança, foi localizado e preso com o apoio da Polícia Civil no Rio de Janeiro, após deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia.

 

Durante a fase ostensiva da “Dark Route”, outros dois alvos de prisão foram capturados em Várzea Grande, onde também foi cumprida medida de busca e apreensão contra outro investigado.

 

Com as prisões já realizadas, os mandados ainda em aberto e o sequestro da frota de luxo, a operação busca demonstrar que o refúgio em território dominado por facções não impede a atuação estatal nem protege o patrimônio e a rede de apoio construída pelos investigados.

 



Diário de Cuiabá