“Profundo abalo e temor”, diz advogada após briga com namorado de delegada do GAECO
A advogada Silvana Alves de Souza afirma ter sofrido profundo abalo emocional e passado a temer pela segurança da família após uma discussão com o advogado Reinaldo Américo Ortigara, namorado de uma delegada Angelina de Andrade Ferreira, da Polícia Civil, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em Cuiabá.
A confusão começou em um grupo de WhatsApp de moradores de um condomínio, após reclamações sobre o barulho provocado por araras mantidas na residência ocupada pela delegada Angelina. Segundo Silvana, o que inicialmente era uma discussão condominial se transformou em uma sequência de ofensas que durou mais de dez horas.
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“Toda essa situação me causou profundo abalo, indignação e temor, não apenas pelo conteúdo isolado das mensagens, mas pela reiteração das ofensas durante várias horas, pelas referências depreciativas aos meus cães já falecidos, pelo desejo manifestado de que os animais remanescentes também morressem, pelas ofensas diretamente dirigidas a mim, pelas ameaças envolvendo meu esposo”, declarou, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.
“Sobretudo, pelo fato de os acontecimentos terem se desenvolvido após a intervenção direta de uma delegada de Polícia integrante do GAECO, de quem, em razão do próprio cargo, se espera atuação compatível com os deveres de valorização da função policial e de respeito à dignidade da pessoa humana”, acrescentou.
Diante da situação, Silvana explicou que passou a levar seus cachorros para trabalhar com ela no escritório por medo de possíveis ataques aos animais.
RELEMBRE O CASO
Reinaldo foi incluído no grupo após sucessivos pedidos da delegada. Segundo Silvana, Angelina solicitou a entrada do advogado cinco vezes em cerca de 70 minutos, entre 9h31 e 10h41. Antes da inclusão, ainda conforme o relato da advogada, a delegada teria afirmado: “meu noivo irá resolver a questão das araras”.
Após entrar no grupo, Reinaldo passou a discutir com os moradores. Silvana afirma que foi alvo de ofensas e que o marido dela, o delegado da Polícia Civil Bruno Sérgio Magalhães Abreu, também recebeu manifestações que ela considera ameaçadoras.
Após a discussão, Silvana afirmou que tomaria medidas contra o advogado. No entanto, ele respondeu: “Enfia as providências no rabo”.
No Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a vítima pediu medidas protetivas de urgência.
A Justiça determinou que Reinaldo mantenha distância mínima de 1 quilômetro da advogada e fique proibido de entrar no condomínio onde ela mora. Ele também não pode manter contato com Silvana, familiares e testemunhas por qualquer meio.
A decisão ainda proibiu Reinaldo de frequentar a residência e o local de trabalho da advogada e de participar de grupos de aplicativos de mensagens dos quais ela faça parte.
A medida foi concedida com base na Lei Maria da Penha e considerou o entendimento recente do Supremo Tribunal Federal sobre a aplicação das medidas protetivas a situações de violência contra a mulher baseada em gênero.
A Justiça também determinou a realização de estudo psicossocial para avaliar o impacto da restrição de acesso ao condomínio.
HISTÓRICO VIOLENTO
Essa não é a primeira vez que Reinaldo se envolve em confusão. Em 2019, ele foi preso em flagrante após ser acusado de ameaçar uma mulher com uma arma dentro de um shopping em Várzea Grande. O caso envolveu, segundo a decisão atual, investigação por ameaça, lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo.
Já em 2024, Reinaldo foi denunciado à Corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso por ataques machistas em um grupo de WhatsApp contra advogadas.

