Rede de peças roubadas movimentou R$ 33 milhões em Cuiabá
O grupo investigado na Operação Carcaça movimentou mais de R$ 33 milhões em créditos por mais de 70 contas bancárias
Uma investigação iniciada a partir da localização de peças automotivas com indícios de origem criminosa em uma autopeças de Cuiabá revelou uma estrutura financeira muito maior do que a inicialmente identificada pela Polícia Civil. O grupo investigado na Operação Carcaça movimentou mais de R$ 33 milhões em créditos por mais de 70 contas bancárias, mantidas em pelo menos 24 instituições financeiras, entre janeiro de 2019 e julho de 2023.
A suspeita é de que o dinheiro esteja relacionado a uma engrenagem que começava na receptação de peças e componentes de veículos furtados e roubados em diferentes Estados e avançava para a adulteração de sinais identificadores e a ocultação do patrimônio obtido com a atividade criminosa.
A dimensão financeira levou a Justiça a autorizar uma ofensiva diretamente contra o patrimônio dos investigados. Na segunda fase da Operação Carcaça, foram expedidas 56 ordens judiciais contra dez pessoas físicas e quatro empresas. Entre as medidas estão 14 bloqueios de ativos financeiros, 14 restrições à transferência de veículos, 14 decretos de indisponibilidade de imóveis, oito mandados de busca e apreensão e seis mandados para o sequestro judicial de oito veículos.
O bloqueio financeiro autorizado chega a R$ 25,5 milhões. Desse montante, R$ 7,8 milhões correspondem aos investigados pessoas físicas e R$ 17,5 milhões às empresas. As ordens poderão ser reiteradas automaticamente por até 30 dias. A Justiça também tornou indisponíveis os imóveis registrados em nome dos alvos. Cinco veículos foram apreendidos durante as diligências.
DA PEÇA ROUBADA AO PATRIMÔNIO
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva) começou depois que policiais localizaram peças e componentes automotivos com sinais de possível origem criminosa em um estabelecimento de autopeças da Capital.
A partir daí, perícias e análises do material apreendido indicaram, segundo a Polícia Civil, uma estrutura dedicada à receptação de componentes provenientes de veículos furtados e roubados em diferentes Estados. A apuração também encontrou indícios de adulteração dos sinais identificadores dessas peças.
O aprofundamento da investigação deslocou o foco do produto do crime para o dinheiro gerado pela atividade.
Foi nesse rastreamento que os investigadores chegaram aos mais de R$ 33 milhões em créditos que circularam pelas dezenas de contas bancárias. A quantidade de contas e instituições utilizadas dá a dimensão da estrutura financeira que agora está sob investigação.
A Polícia Civil apura os crimes de receptação qualificada, adulteração de sinais identificadores de veículos, organização criminosa e lavagem de capitais.
A nova etapa procura impedir que os bens sejam transferidos ou que o dinheiro seja retirado do alcance da Justiça. A estratégia é atingir economicamente a organização, bloqueando ativos, veículos e imóveis enquanto prossegue o rastreamento patrimonial.
INVESTIGAÇÃO CRESCEU
O volume financeiro encontrado na segunda etapa é, segundo a Polícia Civil, muito superior ao que havia sido identificado quando a primeira fase da Operação Carcaça foi realizada, em 2023.
Isso transforma o caso, inicialmente relacionado à receptação de peças, em uma investigação também sobre a estrutura econômica que sustentaria o negócio ilegal.
Os investigadores agora procuram identificar outros possíveis integrantes e ampliar a constrição patrimonial. O procedimento permanece sob sigilo.
| OS NÚMEROS DA CARCAÇA
R$ 33 milhões
movimentação suspeita identificada
70+ contas
por onde circularam os créditos
24+ instituições financeiras
aparecem no rastreamento
R$ 25,5 milhões
valor que a Justiça autorizou bloquear
R$ 17,5 milhões
relativos às empresas
R$ 7,8 milhões
relativos às pessoas físicas
10 pessoas
são alvos
4 empresas
estão na investigação
56 ordens judiciais
foram expedidas
5 veículos
apreendidos nas diligências

