VÍDEO: Após fuga, Angeliquinha teria atuado na Bolívia para viabilizar tráfico do CV

Estadão Mato Grosso

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A criminosa Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, teria assumido uma posição de destaque na estrutura do Comando Vermelho na Bolívia após fugir de um presídio de Cuiabá, em agosto de 2025. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano, ela permaneceu em Santa Cruz de la Sierra com uma função ligada à viabilização da entrada, saída e negociação de drogas da facção.

Angeliquinha foi capturada na terça-feira, 22 de setembro, durante uma ação conjunta da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gerência Estadual de Polinter e Capturas e autoridades bolivianas. Ela estava foragida havia mais de um ano e integrava a lista dos criminosos mais procurados do Brasil.

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“Ela tinha uma atuação importante para ter ficado lá em Santa Cruz de la Sierra. Ela estava lá com alguma posição de viabilizar essa entrada e saída e negociação”, afirmou o delegado.

Segundo Victor Hugo, a real função exercida por Angeliquinha na Bolívia ainda será investigada. A Polícia Civil pretende analisar dados telemáticos e outras informações para identificar a posição ocupada por ela dentro da estrutura criminosa e entender por que escolheu permanecer justamente em Santa Cruz de la Sierra.

“É o que a gente vai agora partir para investigar com dados de investigação, telemáticos, para ver qual era a real atuação dela e a real posição dela ali em Santa Cruz de la Sierra e o porquê dela ter ficado naquela cidade”, explicou.

Disputa entre PCC e CV

A permanência de Angeliquinha em Santa Cruz de la Sierra ganha relevância porque a região é apontada como estratégica para o tráfico internacional de drogas e tem sido palco de disputas entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Em agosto deste ano, autoridades bolivianas relacionaram uma onda de violência na região à disputa entre as duas facções brasileiras pelo controle de rotas utilizadas para o tráfico de cocaína.

É nesse cenário que a Polícia Civil agora pretende descobrir qual era exatamente o papel desempenhado por Angeliquinha.

Mudou o rosto para não ser reconhecida

Durante o período em que permaneceu foragida, Angeliquinha também teria realizado procedimentos estéticos para modificar a própria aparência e dificultar sua identificação.

De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano, ela já havia passado por cirurgias plásticas e estaria planejando novas intervenções quando foi localizada. A estratégia teria como objetivo dificultar o reconhecimento por parte das autoridades.

Além das mudanças físicas, a criminosa utilizava um documento brasileiro falso enquanto vivia na Bolívia.

Família foi alvo de operação

Mesmo enquanto Angeliquinha estava escondida fora do Brasil, familiares dela passaram a ser investigados pela Polícia Civil de Mato Grosso.

Em março de 2026, a Operação Showdown teve como alvos o pai, a filha e o genro da criminosa. A investigação apurou suspeitas de envolvimento do grupo com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar, com movimentação superior a R$ 20 milhões.

A filha de Angeliquinha, Kauany Beatriz, chegou a ser presa durante a operação, mas teve a prisão convertida em domiciliar por estar grávida.

Após a captura da mãe, Kauany se manifestou nas redes sociais e pediu proteção para Angeliquinha. “Não é certo, mas é minha mãe”, escreveu em uma publicação.

Mais de 200 anos de condenações

Angeliquinha estava foragida desde agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ela é apontada como uma das lideranças do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso.

A criminosa possui condenações que ultrapassam 200 anos de prisão por crimes como homicídio, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa. Entre os casos atribuídos a ela está a execução de quatro homens em Nova Monte Verde, em 2022, apontados como integrantes de uma facção rival.



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