Violência contra gestantes expõe desafio permanente em Mato Grosso

 

 A agressão a uma mulher grávida de sete meses pelo próprio marido, registrada neste fim de semana em Dom Aquino, voltou a chamar atenção para uma das faces mais graves da violência doméstica: os ataques contra gestantes. Além dos riscos à vida da mulher, especialistas alertam que esse tipo de violência pode provocar parto prematuro, aborto, lesões fetais e traumas físicos e psicológicos que acompanham mãe e filho por muitos anos.

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima foi agredida com tapas e socos, teve o pescoço comprimido em uma tentativa de enforcamento e conseguiu escapar somente após se trancar no banheiro e pedir ajuda. O suspeito também agrediu o próprio irmão antes de ser preso pela Polícia Militar. Aos policiais, a mulher afirmou que aquela não havia sido a primeira agressão, mas que nunca havia denunciado o companheiro por consideração à sogra.

O episódio ocorre em um momento em que Mato Grosso continua entre os estados com os maiores índices de violência letal contra mulheres do país. Dados da Polícia Judiciária Civil apontam aumento de 13% nos feminicídios em 2025, passando de 47 para 53 vítimas. Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mantém Mato Grosso entre as maiores taxas nacionais desse tipo de crime.

Embora a Lei Maria da Penha preveja medidas protetivas e atendimento especializado às vítimas, autoridades reconhecem que muitas mulheres ainda demoram a procurar ajuda. Em boa parte dos feminicídios, as investigações mostram um histórico anterior de agressões físicas, ameaças, perseguições e controle por parte do agressor.

A situação é ainda mais delicada quando a vítima está grávida. Além da integridade da mulher, a violência coloca em risco o desenvolvimento do bebê e pode comprometer toda a gestação. Por isso, profissionais de saúde e órgãos de proteção orientam que qualquer sinal de agressão seja comunicado imediatamente às autoridades, permitindo a adoção de medidas protetivas antes que a violência evolua para crimes mais graves.

Em Mato Grosso, os registros oficiais de violência contra a mulher são disponibilizados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública em painéis públicos que reúnem ocorrências de ameaça, lesão corporal, violência doméstica e feminicídio, permitindo acompanhar a evolução dos casos e orientar políticas de prevenção.

Diário de Cuiabá