A presidente interina da Bulgária, Iliana Iotova, venceu o segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo, 1º, e se tornou a primeira mulher eleita para comandar o país. Segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central nesta segunda-feira, 2, a candidata conquistou aproximadamente 57,6% dos votos, contra 39,5% de seu adversário, o ex-primeiro-ministro interino Andrey Gyurov.
Com 99,95% das atas eleitorais contabilizadas, a chapa de Iotova e Kiril Valchev somava cerca de 1,1 milhão de votos. Já Gyurov e seu candidato a vice, Georgi Kandev, receberam aproximadamente 749,5 mil. Outros 2,95% dos eleitores optaram pela alternativa de não apoiar nenhum dos concorrentes. A votação foi marcada pela baixa participação popular.
A disputa chegou ao segundo turno após nenhum dos candidatos alcançar a maioria necessária na primeira votação, realizada em 25 de outubro. Na ocasião, Iotova obteve 34,6% dos votos, enquanto Gyurov registrou 32%.
Aos 62 anos, Iotova já ocupava interinamente a Presidência desde janeiro, quando Rumen Radev renunciou ao cargo para disputar as eleições parlamentares. Eleito posteriormente, Radev assumiu o governo como primeiro-ministro e apoiou a candidatura da antiga vice-presidente.
A vitória também representa a continuidade da influência política de Radev sobre a Presidência. Seu partido, Bulgária Progressista, possui maioria no Parlamento e é considerado por analistas políticos próximo à Rússia.
Relação com a Rússia e guerra na Ucrânia
A política externa esteve entre os principais temas da disputa eleitoral, especialmente diante da guerra entre Rússia e Ucrânia. Iotova defende uma solução diplomática para o conflito e negociações com Moscou, posição semelhante à adotada pelo primeiro-ministro.
Já Gyurov, apoiado por partidos reformistas e pró-Ocidente, defendeu uma postura de maior apoio à Ucrânia. Após a divulgação dos resultados, o candidato reconheceu a derrota.
Em pronunciamento na capital Sófia, Iotova agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende ouvir também a parcela da população que não apoiou sua candidatura. A presidente eleita defendeu o diálogo como instrumento para superar as divisões políticas no país.
Apesar de integrar a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Bulgária enfrenta divergências internas sobre suas relações com a Rússia e o apoio militar à Ucrânia.
O sistema político búlgaro concentra a maior parte das decisões no Parlamento e no governo. A Presidência exerce funções predominantemente representativas, embora tenha atribuições como o comando das Forças Armadas, a possibilidade de vetar leis e a nomeação de embaixadores.
Iotova deverá tomar posse em 22 de janeiro de 2027, para um mandato de cinco anos.
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