Delegado afirma que Carlinhos perseguia ex e cita que relação era marcada por ciúme doentio

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Carlinhos Bezerra

O delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel Gomes Oliveira, afirmou durante o júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, que o acusado perseguiu a ex-companheira Thays Machado antes do crime. Ele classificou o caso como “stalker” e de ódio.

Thays, de 44 anos, e o namorado dela, Willian César Moreno, de 30, foram mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá. O julgamento ocorre nesta sexta-feira, 31 de julho.

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Segundo Marcel, a vítima era perseguida pelo acusado havia vários dias antes do crime. Ele relatou que Carlinhos chegou a ir até a Central de Flagrantes enquanto Thays registrava um boletim de ocorrência contra ele.

Conforme o depoimento, o acusado teria tentado investir contra Thays dentro da unidade policial. Uma policial saiu armada da delegacia, momento em que ele deixou o local. A situação teria ocorrido um dia antes do duplo homicídio.

Durante a investigação, foram encontradas no escritório de Carlinhos diversas anotações e dados de geolocalização que, segundo o delegado, indicavam o acompanhamento da rotina da vítima.

Marcel também afirmou que, mesmo após ser bloqueado por Thays, o acusado adquiriu novos chips de telefone e continuou fazendo ligações e enviando mensagens para ela.

A condição de saúde de Carlinhos na época do crime também foi mencionada durante a oitiva. Segundo o delegado, um perito apontou que questões relacionadas ao diabetes não tinham relação com a capacidade emocional do acusado.

A relação entre os dois, conforme relatado no depoimento, era marcada por “ciúme possessivo e doentio”. Carlinhos, segundo a investigação apresentada pelo delegado, mantinha uma postura de constante aproximação e vigilância em relação à vítima.

Júri tumultuado

Antes do início da sessão, a defesa, feita pelo advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, tentou suspender o julgamento em diferentes momentos, alegando cerceamento de defesa. Os pedidos foram negados pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.

Um dos pedidos apresentados pela defesa apontava que Carlinhos estaria com sarna e que a condição poderia prejudicar o julgamento. A magistrada afirmou que exames recentes indicavam que o réu estava apto a participar da sessão.

Segundo Mônica Catarina, Carlinhos está em “estado geral, lúcido, hidratado, pressão boa e com situação normal de passar por julgamento”. Ela destacou que a doença não impede a realização do Tribunal do Júri e que o tratamento pode ser feito dentro da unidade prisional.

“Esse é um tratamento que ele pode fazer no interior do presídio, com nada que venha prejudicar esse julgamento”, declarou.



Estadão MT