Promotor diz que Carlinhos Bezerra tratava ex como objeto e nega insanidade mental: “é falta de caráter”

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Vinícius Gahyva

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva afirmou nesta sexta-feira (31), durante o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, que o réu tratava a ex-namorada Thays Machado, de 44 anos, como um objeto. Carlinhos responde pelas mortes de Thays e de Willian César Moreno, de 30 anos, no Tribunal do Júri de Cuiabá.

Segundo a acusação, o crime ocorreu após Carlinhos não aceitar o fim do relacionamento. Para o promotor, a conduta do acusado não estava ligada a um distúrbio mental, mas à dificuldade de lidar com a separação.

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“Aquele cidadão que sempre teve de tudo na mão, quando não aceitou a perda fez o que fez. Isso não é distúrbio de sanidade, é falta de caráter”, declarou Gahyva durante a sessão.

Em depoimento, Carlinhos admitiu que monitorava o celular de Thays e tinha acesso aos contatos dela. Conforme apresentado no júri, uma lista com nomes e números de pessoas com quem a vítima conversava foi apreendida na casa do réu.

O material tinha marcações que separavam contatos de homens e mulheres e indicavam a origem das pessoas. Carlinhos também confirmou que ligava de forma insistente para Thays e disse que a prática era frequente.

Segundo o réu, o compartilhamento entre os celulares continuou ativo mesmo após a separação. “Eu realmente estava com dificuldade de aceitar o término. Eu sou um cara 100% coração e emoção”, afirmou.

A investigadora da Polícia Civil Luciene Benedita Taques de Abreu também relatou, durante o julgamento, a suspeita de que Thays era monitorada pelo acusado.

De acordo com as investigações, Carlinhos perseguiu Thays e Willian desde o Aeroporto Marechal Rondon até o prédio onde morava a mãe da ex-companheira, em Cuiabá. As vítimas foram surpreendidas por disparos em frente ao edifício e morreram no local.

Carlinhos foi preso poucas horas depois em uma fazenda da família, no município de Campo Verde.



Estadão MT