Julgamento de Carlinhos Bezerra começa nesta sexta; defesa ameaça abandonar júri novamente

Estadão MT

Carlinhos Bezerra

O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30 anos, começa nesta sexta-feira, 31 de julho, no Tribunal do Júri, em Cuiabá. O crime ocorreu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao prédio onde morava a mãe de Thays.

Na véspera da sessão, nesta quinta-feira, 30 de julho, o defensor de Carlinhos, Elson Marcelino da Silva Júnior, afirmou que pode abandonar novamente o júri caso entenda que o cliente não terá um julgamento imparcial.

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A defesa já havia deixado o plenário no julgamento anterior, após alegar cerceamento de defesa por não ter tido acesso integral às provas do processo. A possibilidade de uma nova saída, segundo Elson, dependerá da análise dos pedidos apresentados antes do início da sessão.

A principal preocupação da defesa, conforme Elson, é garantir que os jurados analisem apenas os fatos constantes no processo, sem influência de fatores externos, como o fato de Carlinhos ser filho do ex-deputado federal e ex-governador Carlos Bezerra.

“Nós precisamos ter um julgamento neutro, nós podemos julgar o Carlos Alberto Gomes Bezerra, né? Mas, com base no fato que ocorreu, não com quem é parente, de quem é filho ou de qualquer outro elemento, mas, sim, tão somente o que veio na sentença de pronúncia, né? É isso que nós queremos no julgamento”, destacou.

A defesa apresentou pedidos à Justiça para suspender a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, alegando descumprimento da Súmula Vinculante nº 14, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante à defesa acesso aos elementos de prova já documentados nos autos. Os pedidos foram negados.

Ao criticar a condução do processo, Elson afirmou que a defesa busca garantir um julgamento imparcial e baseado exclusivamente nas provas.

“Cadê a imparcialidade que ela teria que ter? Cadê aquele cuidado e zelo com a prova processual? Prova é tudo aquilo que não deixa dúvida”, disse.

Elson também afirmou que a defesa enfrenta dificuldades pelo fato de Carlinhos ser filho de Carlos Bezerra. Segundo ele, pessoas evitam se envolver no caso por receio de represálias.

“Com relação ao pai dele ter sido governador, eu digo sim, nós sofremos um tráfego muito grande. As pessoas não querem se mexer, não querem tomar partido, não querem fazer algo com medo da represália, com medo do que vai ser dito na mídia. E isso a gente enfrenta muito forte aqui”, afirmou.

Elson também sustentou que a influência política pesa na condução do caso, principalmente por se tratar de um ano eleitoral.

“A influência política aqui, ainda mais em ano eleitoral, é um absurdo. Ninguém quer fazer nada com receio. ‘Pô, mas se eu fizer, o que vai acontecer depois?’ E isso eu percebo até mesmo nas decisões”, declarou.

Segundo ele, há uma pressão para que o julgamento ocorra rapidamente, ainda que, na avaliação da defesa, nem todas as garantias processuais tenham sido observadas.

O caso

De acordo com as investigações, Carlinhos Bezerra perseguiu Thays Machado e Willian Moreno desde o Aeroporto Marechal Rondon até o prédio onde morava a mãe da ex-companheira, em Cuiabá.

As vítimas foram surpreendidas pelos disparos quando estavam em frente ao edifício. Elas ainda tentaram fugir, mas morreram no local.

Carlinhos foi preso poucas horas após o crime em uma fazenda da família, no município de Campo Verde. Ele responde por duplo homicídio qualificado e será julgado pelo Tribunal do Júri a partir desta sexta-feira.



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