Julgamento de Carlinhos Bezerra pode ter desfecho nesta sexta-feira
Reprodução/PJC
Carlos Alberto Bezerra (destaque), 57, foi preso em flagrante, em uma fazenda na cidade de Campo Verde
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, volta a ser julgado pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (31), no Fórum de Cuiabá.
A sessão está marcada para começar às 9 horas e poderá colocar um ponto final em um processo que se arrasta há mais de três anos, marcado por sucessivos recursos apresentados pela defesa.
Leia também:
Júri do Caso Zampieri é suspenso após um jurado passar mal
Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), o empresário responde pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30.
O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.
O julgamento chegou a ser iniciado no último dia 21 de julho, mas foi interrompido após os advogados do réu abandonarem o plenário, alegando que o processo apresentava irregularidades que comprometeriam o direito de defesa.
Com isso, a sessão foi redesignada para esta sexta-feira.
Na tentativa de impedir a realização do júri, a defesa recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que houve cerceamento da defesa e pedindo a suspensão ou o adiamento da sessão.
Até o fechamento desta edição, não havia decisão da Corte sobre o pedido.
TJ MANTÉM JUÍZA NO CASO – Na quarta-feira (29), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) rejeitou mais um recurso da defesa e manteve a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, responsável pela condução do julgamento.
A defesa alegava suposta parcialidade da magistrada, afirmando que manifestações feitas durante a tramitação do processo demonstrariam um pré-julgamento da causa.
O pedido, porém, foi negado pelo juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto.
Apesar de rejeitar os questionamentos, a magistrada acolheu alguns pedidos da defesa para assegurar a realização do júri.
Carlinhos Bezerra poderá participar da sessão sem o uso de algemas e sem uniforme prisional.
Também foi autorizada a utilização de equipamentos para exibição de mídias e documentos já incorporados aos autos, além do acesso à internet durante a sustentação oral.
A juíza, no entanto, advertiu que somente poderão ser apresentados aos jurados documentos e vídeos previamente juntados ao processo, conforme determina o artigo 479 do Código de Processo Penal, vedando a utilização de provas surpresa durante o julgamento.
Caso os advogados deixem novamente o plenário, como ocorreu na sessão anterior, a Defensoria Pública já foi previamente comunicada e poderá assumir a defesa do réu para garantir a continuidade do julgamento.
CRIME EM 2023 – Segundo a denúncia do Ministério Público, Thays Machado e Willian César Moreno haviam acabado de deixar um veículo na garagem do edifício onde mora a mãe dela e aguardavam um carro por aplicativo quando foram surpreendidos pelo empresário.
Conforme a investigação, Carlinhos Bezerra chegou ao local dirigindo um Renault Kwid e efetuou diversos disparos contra o casal.
A perícia apontou que Thays foi atingida por três tiros, sendo dois nas costas e um na região do quadril. Willian foi baleado no braço e no peito.
Ele ainda tentou fugir, mas caiu na calçada e morreu antes da chegada do socorro.
O Ministério Público sustenta que o empresário não aceitava o fim do relacionamento com Thays, que havia iniciado um novo namoro poucas semanas antes do crime.
Preso preventivamente desde janeiro de 2023, Carlinhos Bezerra foi pronunciado por duplo homicídio qualificado e por feminicídio, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e surpresa.
A expectativa é de que o julgamento seja concluído ainda nesta sexta-feira, salvo a ocorrência de novos incidentes processuais.
Entenda o caso
18 de janeiro de 2023
Thays Machado e Willian Moreno são mortos em frente ao Edifício Solar Monet, em Cuiabá.
Maio de 2023
Carlinhos Bezerra é pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Júri.
21 de julho de 2026
Júri é interrompido após abandono do plenário pela defesa.
31 de julho de 2026
Novo julgamento está marcado para o Fórum de Cuiabá.

