A expansão ferroviária que impulsiona o agronegócio de Mato Grosso também traz um alerta constante para quem vive e transita pelos municípios cortados pelos trilhos. A convivência diária entre o tráfego pesado de composições cargueiras e o fluxo urbano de veículos exige atenção redobrada e medidas urgentes de segurança nas chamadas passagens em nível (os cruzamentos entre ruas e ferrovias).
Na última terça-feira (3), um simulado de colisão entre um trem e um carro de passeio realizado no Complexo Intermodal de Rondonópolis jogou luz sobre um cenário que preocupa autoridades de trânsito e moradores: o risco real de tragédias nas cidades devido à distração ao volante ou à falta de visibilidade nos cruzamentos.
O perigo invisível nos trilhos do Estado
Diferente de um automóvel, uma composição ferroviária pesada pode levar centenas de metros para conseguir parar totalmente após o acionamento dos freios. Quando o motorista se distrai com o celular, tenta cruzar a via com pressa ou subestima a velocidade do trem, a colisão é quase inevitável.
Especialistas em trânsito reforçam que o avanço das ferrovias em áreas urbanas de Mato Grosso — impulsionado pelo escoamento da produção agrícola — exige não apenas treinamentos internos das empresas operadoras, mas investimentos pesados em sinalização, construção de viadutos (trincheiras) e barreiras físicas para proteger a população.
O que dizem os números e os riscos?
Embora as operadoras realizem campanhas educativas e treinamentos de resposta rápida com o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e órgãos estaduais, a prevenção nas ruas ainda esbarra na imprudência e na falta de infraestrutura adequada em pontos críticos de circulação.
A cobrança por parte dos municípios e da sociedade civil é clara: o desenvolvimento logístico de Mato Grosso não pode custar a segurança de quem transita pelas cidades cortadas pelos trilhos. A fiscalização rigorosa e a educação para o trânsito ferroviário continuam sendo as únicas barreiras eficazes para evitar que simulações de acidentes se transformem em tragédias reais nas rodovias e ruas do estado.
Fonte: cenariomt.com.br

