Mesmo preso, WT mantinha comando financeiro e disciplinar do Comando Vermelho

Mesmo recolhido em um presídio de segurança máxima, Paulo Witter Farias, conhecido como WT, continuava exercendo papel de liderança no Comando Vermelho (CV), coordenando a movimentação financeira da facção e impondo determinações disciplinares a integrantes em liberdade. As conclusões fazem parte da investigação que resultou na Operação Replay, deflagrada nesta quinta-feira (30) pela Polícia Civil de Mato Grosso.

 

A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), cumpriu dez mandados de prisão preventiva, ordens de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio patrimonial, quebra de sigilo e indisponibilidade de bens contra 14 investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

 

Embora já estivesse preso, WT teve um novo mandado de prisão preventiva cumprido. Segundo a Polícia Civil, as investigações demonstraram que ele permanecia no comando da estrutura criminosa por meio de comunicações clandestinas mantidas de dentro da unidade prisional.

 

Entre os alvos da operação estão ainda a advogada e influenciadora Dayana Karon Moreira, o assessor parlamentar da Câmara Municipal de Cuiabá Brunno Passos da Silva e o jogador de futebol amador Alex Júnior, apontados como integrantes ou colaboradores da organização investigada.

 

Além de Cuiabá e Várzea Grande, a operação foi realizada simultaneamente em Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, e no Rio de Janeiro, como desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que já haviam atingido a mesma estrutura criminosa.

 

Liderança mantida de dentro da prisão

 

De acordo com a Draco, a nova fase da investigação foi construída a partir da análise de dados telemáticos extraídos durante as operações anteriores. O material revelou que a organização mantinha divisão de funções, operadores externos, núcleo financeiro próprio e mecanismos para ocultar patrimônio por meio de terceiros.

 

As mensagens analisadas mostram que WT continuava acompanhando a movimentação financeira da facção, determinando recolhimentos de valores, conferindo planilhas de arrecadação e orientando integrantes responsáveis pelas finanças do grupo.

 

Segundo a Polícia Civil, as comunicações também registraram cobranças por metas internas, distribuição de recursos e ordens relacionadas ao funcionamento disciplinar da organização, demonstrando que a prisão não impediu sua atuação como liderança.

 

Outro ponto destacado pela investigação foi a utilização do mesmo chip telefônico em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março deste ano, estratégia que, segundo os investigadores, buscava dificultar o rastreamento das comunicações e contornar os controles do sistema penitenciário.

 

Patrimônio milionário

 

Além das prisões, a Justiça autorizou medidas de descapitalização do grupo criminoso.

 

Foram sequestrados ou tiveram a indisponibilidade decretada imóveis e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17,2 milhões, além do pedido de bloqueio de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros vinculados aos investigados.

 

Entre os bens identificados estão um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, avaliado em R$ 6 milhões; uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, também estimada em R$ 6 milhões; uma residência de alto padrão em Cuiabá, avaliada em R$ 1,5 milhão; além de três terrenos.

 

Os veículos atingidos pelas medidas judiciais incluem automóveis e motocicletas avaliados em cerca de R$ 607 mil.

 

Segundo a Polícia Civil, a estratégia busca impedir que o patrimônio adquirido com recursos provenientes do tráfico de drogas, do comércio ilegal de armas e de outras atividades criminosas seja ocultado, transferido ou utilizado para financiar a reorganização da facção.

 

As medidas cautelares também incluem buscas pessoais, domiciliares e veiculares, apreensão de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas e quebra de sigilo, com o objetivo de aprofundar a investigação e desarticular a estrutura financeira do grupo criminoso.

 

Operação Replay em números

10
mandados de prisão preventiva

14
investigados entre integrantes e colaboradores

R$ 17,2 milhões
em imóveis e veículos atingidos

R$ 15,3 milhões
em bloqueio de ativos financeiros solicitado

4 Estados
Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro (além das ações em Cuiabá e Várzea Grande)

 

 



Diário de Cuiabá