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Dólar R$ -- 17:30:35 | 31 de outubro de 2026
POLÍTICA

MPT registra explosão de denúncias de retaliação e assédio eleitoral após o segundo turno em Mato Grosso

O fim da disputa presidencial nas urnas não encerrou a tensão política no ambiente corporativo e institucional de Mato Grosso.

Nos três dias subsequentes ao segundo turno das Eleições 2026, o Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) foi acionado com uma onda de 31 novas denúncias de assédio eleitoral.

O volume registrado entre segunda e quarta-feira representa mais da metade de todas as 61 queixas acumuladas no estado ao longo do ano.

O surto pós-eleitoral indica que o foco das agressões migrou da coerção pelo voto para a fase de vingança institucional e demissões motivadas por convicções partidárias.

O mapa da pressão política em Mato Grosso

O balanço do órgão trabalhista já resultou na expedição de 31 recomendações preventivas e na abertura de 25 inquéritos civis no território mato-grossense. A distribuição dos registros expõe a concentração dos conflitos nos principais polos urbanos do estado:

  • Cuiabá: Lidera o ranking estadual com 20 denúncias formalizadas.

  • Sinop: Registra 9 casos de interferência política nas relações de trabalho.

  • Barra do Garças: Contabiliza 7 ocorrências sob apuração.

  • Rondonópolis e Várzea Grande: Somam 4 e 3 registros, respectivamente.

  • Interior do estado: Outros 15 municípios dividem o restante das queixas, acumulando entre 1 e 2 procedimentos cada.

No âmbito nacional, o MPT já ultrapassa a marca de 1.140 apurações ligadas ao pleito de 2026.

Caso emblemático na Saúde Pública de Cuiabá

A gravidade do cenário levou o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT) a intervir em regime de plantão no próprio domingo da eleição. O MPT-MT obteve liminar contra a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) para impedir a prática de perseguições, ameaças ou discriminações contra colaboradores com base em posicionamentos ideológicos.

O estopim da ação envolve a demissão de um servidor público da saúde municipal em outubro. O desligamento ocorreu exatamente um dia após o profissional participar de uma manifestação política e publicar fotos do ato em redes sociais. Segundo a denúncia, o funcionário foi avisado de que sua demissão atendia a uma “ordem superior”. A apuração corre na Justiça para confirmar se houve desvio de finalidade e retaliação eleitoral.

Comparativo: o histórico das eleições em Mato Grosso

O volume de casos registrados em 2026 expõe um recrudescimento do conflito nas empresas quando comparado às eleições municipais anteriores, embora ainda abaixo do auge da polarização de 2022:

  • Eleições 2022 (Presidenciais): 119 denúncias envolvendo 80 empregadores em MT (gerou 12 Ações Civis Públicas).

  • Eleições 2024 (Municipais): 21 denúncias consolidadas em todo o estado.

  • Eleições 2026 (Presidenciais): 61 denúncias registradas até o momento, com disparada atípica após a abertura das urnas.

Como formalizar denúncias com garantia de sigilo

O MPT-MT reforça que a proteção à liberdade de expressão e de voto permanece válida mesmo após o encerramento do período eleitoral. Demissões sem justa causa motivadas por posição política, piadas pejorativas, perda de cargos de confiança ou isolamento de trabalhadores configuram infrações graves.

Canais oficiais para envio de denúncias sob anonimato:

  • Site nacional do MPT: mpt.mp.br/assedio-eleitoral

  • Portal regional PRT-23: prt23.mpt.mp.br/servicos/denuncias

  • E-mail de atendimento: [email protected]

  • Orientação sobre casos individuais: Disque 158 (Ministério do Trabalho e Emprego) ou sindicatos da categoria.

Perguntas frequentes sobre o assédio eleitoral pós-eleição

O trabalhador pode ser demitido por ter comemorado a vitória de um candidato após o pleito?

Não. A legislação trabalhista e a Constituição vedam qualquer tipo de punição, discriminação ou demissão motivada por opinião política. Caso ocorra, a dispensa pode ser anulada na Justiça com direito a indenização.

O que diferencia uma recomendação de um inquérito civil expedido pelo MPT?

A recomendação é um alerta preventivo para que a empresa cessar práticas abusivas. O inquérito civil é um procedimento formal de investigação para colher provas que podem virar ação judicial.

O trabalhador precisa se identificar para fazer a denúncia no MPT-MT?

Não. Os canais do Ministério Público do Trabalho garantem o sigilo absoluto dos dados do denunciante durante todo o processo de apuração.

Fonte: cenariomt.com.br