Veja nomes dos 15 alvos da Operação Replay contra lavagem de dinheiro do Comando Vermelho
Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, Emerson Ferreira Lima, Alex Júnior Santos de Alencar, Aldemir de Assis Campos, Giselly Breier Streck, Katani Adorno Bocardi, Thawany Nunes Silva de Bulhões, Dayane Karol Moreira da Silva, Ygor Henrique da Silva Martins, Brunno Passos da Silva, Anderson Alves de Sousa, Paulo Vinicius Gabriel de Araújo, Wires Alves Guerra, Nagilda Cândida Ferreira Lima e Fernando Wagner Moraes Amorim são os alvos da Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (30).
O grupo é investigado por supostamente integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, a estrutura teria movimentado recursos de atividades criminosas e acumulado veículos de luxo, mansões e outros bens avaliados em cerca de R$ 32 milhões.
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Apontado como principal liderança do núcleo, WT continuaria dando ordens mesmo preso na ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Durante o período analisado, ele teria usado sete celulares para fazer cobranças, controlar planilhas e definir o destino do dinheiro arrecadado pela facção.
As conversas interceptadas mostram orientações sobre os chamados “fechamentos” ou “fechas”, expressão usada para o recolhimento de valores do crime. WT também teria determinado “recolhes”, repasses e correções nos registros financeiros da organização.
Em uma das mensagens, o investigado afirmou que apagaria uma planilha e guardaria uma nova versão corrigida. Em outros diálogos, teria citado “Sansão” e “Chapa”, apelidos atribuídos a Sandro Silva Rabelo, o Sandro Louco, e Renildo Silva Rios, apontados como presidente e vice-presidente do Comando Vermelho em Mato Grosso.
A investigação também indica que a influência de WT ultrapassava o controle financeiro. Ele teria determinado uma punição interna, conhecida como “salve”, contra um integrante chamado de “Xereca”, inclusive com proibição do consumo de bebidas alcoólicas.
Emerson Ferreira Lima, conhecido como GD ou Gordão, é apontado como braço direito de WT e responsável por executar ordens fora da prisão. Ele receberia instruções sobre arrecadações, alterações de planilhas e distribuição dos recursos entre integrantes do grupo.
Em uma das movimentações atribuídas a Emerson, os investigadores identificaram o chamado “congelamento” de R$ 14 milhões, além de outros valores ligados à atuação financeira da facção em diferentes regiões. Ele usava tornozeleira eletrônica após ter quebrado um celular durante a Operação Tempo Extra.
Alex Júnior Santos de Alencar, identificado nas mensagens como “Dedê”, aparece como destinatário de repasses. Já Brunno Passos da Silva, jogador de futebol amador e ex-assessor parlamentar do vereador Jeferson Siqueira (PSD), teria tido o nome usado no registro de um imóvel localizado em Itapema, em Santa Catarina.
A advogada Dayane Karol Moreira da Silva também aparece na administração de bens investigados. Ela recebeu uma procuração para cuidar de uma mansão comprada em um condomínio de luxo em Camboriú, também em Santa Catarina.
O imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 3,8 milhões, foi registrado em nome de Anderson Alves de Sousa. Conforme a Polícia Civil, ele teria dado entrada de R$ 100 mil, feito pagamentos sucessivos no mesmo valor e desembolsado outros R$ 621,1 mil pelo terreno.
Apesar de constar como proprietário, Anderson não teria exercido a posse efetiva da mansão. Pouco depois da aquisição, ele concedeu procurações a Dayane e a Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de WT, para administrarem a residência.
Thawany é apontada como uma das responsáveis pelo gerenciamento do patrimônio atribuído ao marido. Ela também seria frequentadora do imóvel registrado em nome de Brunno Passos, em Itapema.
Outro elemento apurado foi uma conversa sobre a compra de armas e munições identificadas com o símbolo de um “fantasminha”, mascote do time de futebol amador Amigos do WT. Para a Polícia Civil, o diálogo reforça a ligação entre a equipe esportiva e o núcleo investigado.
Diante da suspeita de que WT manteve o comando das atividades mesmo dentro da PCE, a Justiça avalia a transferência dele para um presídio federal. As investigações continuam para individualizar a participação dos 15 alvos e rastrear a origem de todo o patrimônio apreendido.

