VÍDEO: “Nunca na história vi partido traindo o partido”, dispara Dilmar em convenção do UB

Fernanda Leite | Estadão Mato Grosso

mesa - convenção união brasil - Dilmar Mauro e Jayme

O deputado estadual Dilmar Dal Bosco e o ex-governador Mauro Mendes protagonizaram um embate durante a convenção estadual do União Brasil, nesta quinta-feira, 30 de julho, em Cuiabá. A discussão expôs a divisão interna da legenda entre o grupo que defende a candidatura própria do senador Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso e a ala que apoia o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Secretário-geral do União Brasil em Mato Grosso, Dilmar acusou integrantes do partido de traírem a própria sigla ao defenderem apoio a Pivetta. Mauro, presidente estadual da legenda, reagiu e afirmou que apoiar um nome de outro partido é uma escolha política legítima.

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A troca de declarações ocorreu durante a convenção que definirá se o União Brasil lançará Jayme ao Palácio Paiaguás ou se manterá o entendimento defendido por Mauro para compor com Pivetta. A disputa interna vinha provocando tentativas de conciliação, mas chegou ao plenário da convenção em tom direto.

Dilmar começou dizendo que pretendia ficar em silêncio. Em seguida, afirmou que decidiu falar para registrar sua insatisfação com a possibilidade de o União Brasil abrir mão de candidatura própria.

“Eu não ia falar, peço perdão a todos. Estava pensando em ficar em silêncio. Eu nunca, na história deste partido, desde o PFL, vi o partido traindo o próprio partido. Nunca tinha visto”, declarou.

Mauro respondeu na sequência e contestou o uso da palavra traição. Segundo ele, um partido pode decidir apoiar outra candidatura de acordo com a conjuntura eleitoral, sem que isso represente deslealdade aos filiados.

“Com todo o respeito que você sabe que tenho por você e que tive e tenho pelo senador Jayme, um partido decidir apoiar outro é algo político”, afirmou.

O ex-governador também lembrou que o grupo político que deu origem ao atual União Brasil já apoiou candidatos de outras legendas em diferentes eleições. Para Mauro, a defesa de uma aliança com Pivetta não deve ser tratada como ruptura com a história partidária.

“Nosso partido, desde lá de trás, por várias vezes decidiu apoiar candidatos de outros partidos. Não é salutar dizer que quem está apoiando uma proposta de coligação está cometendo traição. É uma opção política em função da conjuntura”, rebateu.

Mauro ainda citou as formações partidárias anteriores ao União Brasil, como o PFL e a Arena, para sustentar que alianças externas fazem parte da trajetória do grupo.

“Desde o PFL e a Arena, este partido, em várias oportunidades, fez a opção de apoiar outras agremiações partidárias. Se alguém está desconhecendo isso, não é muito saudável”, completou.

Dilmar tentou responder ao ex-governador, mas a discussão não avançou. Fora do microfone, Mauro pediu que o debate fosse encerrado, e a convenção seguiu com a pauta interna.

A reunião ocorre em meio a uma crise aberta no União Brasil. Jayme Campos tenta viabilizar a candidatura própria ao governo, enquanto Mauro trabalha para manter o partido no arco de apoio a Pivetta. O resultado da convenção deve definir o rumo oficial da sigla em Mato Grosso.

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