Vigilância Sanitária vai acionar Exército para investigar origem de aparelhos de raio-X encontrados em ferro-velho de Anápolis
A Vigilância Sanitária de Anápolis vai buscar informações junto ao Exército Brasileiro para esclarecer a origem dos quatro aparelhos antigos de raio-X encontrados em um ferro-velho da cidade. A medida faz parte da investigação que tenta identificar a procedência dos equipamentos, encontrados em um estabelecimento localizado na Avenida Brasil Sul após uma denúncia. Embora a suspeita inicial de radioatividade tenha sido descartada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), as autoridades seguem apurando a trajetória dos aparelhos e como eles chegaram ao local.
Os equipamentos são de fabricação norte-americana e há indícios de que tenham sido produzidos durante o período pós-guerra. Uma das hipóteses analisadas pela Vigilância é que os aparelhos teriam sido destinados originalmente ao Vietnã, mas a informação ainda precisa ser confirmada.
Os proprietários do ferro-velho relataram à Vigilância Sanitária que adquiriram um lote de materiais em um leilão realizado em Brasília há cerca de dez anos. Segundo eles, as quatro caixas contendo os aparelhos de raio-X vieram junto com os demais itens arrematados.
Leiloado por R$ 10 mil
Um equipamento portátil de raio-X militar da mesma marca e modelo ao encontrado em Anápolis foi colocado à leilão recentemente na internet por cerca de R$ 10 mil. Anunciado como uma antiguidade militar americana, o aparelho foi fabricado para uso médico em operações de campanha e apresenta estrutura compatível com os equipamentos apreendidos pela Vigilância Sanitária no ferro-velho goiano.
Fotos e inscrições encontradas em leilão especializado indicam que aparelho semelhante ao apreendido em Goiás foi fabricado para uso médico do Exército dos Estados Unidos entre as décadas de 1950 e 1960.
“Apesar da aparência que remete ao acidente radiológico de Goiânia, os equipamentos apreendidos em um ferro-velho de Anápolis não oferecem risco de contaminação por radiação.” A afirmação é do gerente da Vigilância Sanitária de Anápolis, Césio Malaquias, responsável pelo acompanhamento do caso.
Segundo ele, os aparelhos utilizam tecnologia de aceleração elétrica para gerar raios-X e, diferentemente de equipamentos que empregam fontes radioativas encapsuladas, não contêm materiais como o césio-137. “Hoje, esses equipamentos funcionam por aceleradores. Eles geram radiação apenas quando estão ligados à eletricidade. Se estiverem desligados, não existe emissão de radiação”, explicou em entrevista ao Jornal Opção.
Descarte será feito por empresa
De acordo com Malaquias, a principal preocupação das autoridades não está relacionada à radioatividade, mas ao descarte inadequado dos componentes internos. “Não foi detectado nenhum nível de radiação. Nada, absolutamente nada. O problema é o óleo presente no equipamento, que é altamente tóxico e pode causar contaminação ambiental caso seja derramado no solo ou aspirado por pessoas”, afirmou.
O gerente explicou que equipamentos médicos convencionais seguem protocolos rígidos de descarte quando deixam de ser utilizados por clínicas e consultórios. Entre os procedimentos obrigatórios estão a retirada de componentes elétricos, separação dos cabos e remoção do óleo isolante por empresas especializadas.

No caso dos aparelhos encontrados em Anápolis, entretanto, a situação chamou atenção pela origem incomum dos equipamentos. “São equipamentos nacionalizados que normalmente conhecemos e fiscalizamos. Esses, porém, eram equipamentos de guerra, desenvolvidos para uso médico em campo de batalha pelo Exército americano. Ainda não sabemos se foram doados, importados regularmente ou se chegaram ao país por outros meios”, disse.
Segundo a Vigilância Sanitária, os aparelhos permanecerão sob custódia do órgão até a conclusão dos procedimentos de descarte. A próxima etapa será a remoção do óleo contaminante por empresa especializada, seguida da desmontagem dos componentes elétricos responsáveis pela geração dos raios-X.
“Quem acompanha todo o processo é a Vigilância Sanitária. O óleo precisa ser encaminhado para tratamento específico e os componentes elétricos também devem receber destinação adequada. É um descarte técnico, mas sem qualquer risco radiológico para a população”, ressaltou Malaquias.
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