Quebrar recordes de votação não é exatamente uma novidade na trajetória política de Bruno Peixoto (UB). Neste ano, o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) voltou a alcançar uma marca histórica nas urnas ao ser eleito o deputado federal mais votado do estado, com mais de 207 mil votos. O resultado repete um feito de quatro anos atrás, quando conquistou 73.692 votos e se tornou o deputado estadual mais votado de Goiás.
A relação de Bruno com a política, no entanto, começou bem antes de sua chegada à Assembleia. Filho de Tião Peixoto, atualmente vereador por Goiânia, e irmão de Welington Peixoto, o parlamentar cresceu em um ambiente familiar ligado à vida pública. Formado em Direito e Economia, com pós-graduação em Gestão e Controladoria, iniciou sua trajetória eleitoral em 2004, quando conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Goiânia.
Quatro anos depois, em 2008, foi reeleito com 12.850 votos, tornando-se o vereador reeleito mais votado da capital. Em 2010, deu um passo adiante e conquistou seu primeiro mandato como deputado estadual, com mais de 35 mil votos. Desde então, acumulou quatro mandatos consecutivos na Alego, onde passou de integrante da base governista a uma das principais figuras da articulação política estadual.
Foi líder do governo Ronaldo Caiado na Assembleia e, em fevereiro de 2023, chegou à presidência da Casa. A força política construída entre os próprios parlamentares ficou evidente em outubro de 2024, quando foi reconduzido ao comando do Legislativo com apenas um voto contrário.
Às vésperas de trocar a Assembleia pela Câmara dos Deputados, Bruno experimenta uma função inédita em sua carreira
Desde 29 de outubro, ocupa interinamente o comando do governo de Goiás, em substituição ao governador reeleito Daniel Vilela (MDB), que está de férias. A passagem pelo Palácio das Esmeraldas será breve, até 3 de novembro, mas representa a primeira experiência do parlamentar à frente do Poder Executivo.
É nesse momento de transição que Bruno Peixoto conversou com o Jornal Opção. Na entrevista, o presidente da Alego fala sobre as pautas que pretende defender em Brasília a partir de 2027, rebate questionamentos sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declara apoio a um novo mandato do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB) – mas deixa em aberto que pode se candidatar se Mabel não disputar -, e avalia os nomes cotados para sucedê-lo na presidência da Assembleia Legislativa.
Entre recordes eleitorais, articulações políticas e a preparação para uma nova etapa da carreira, Bruno também aborda os desafios de deixar uma Casa na qual construiu boa parte de sua trajetória para ocupar uma das cadeiras de Goiás na Câmara dos Deputados.
Euler de França Belém – O senhor já escolheu seu gabinete e o nome que vai apoiar para presidente da Câmara dos Deputados?
O meu candidato à reeleição para a presidência da Câmara Federal é Hugo Motta. Já declarei meu apoio no dia seguinte às eleições do primeiro turno. Assim que tive a resposta positiva das urnas, e já aproveito para agradecer ao povo goiano pelo voto, pelo apoio e pelas orações, declarei apoio à reeleição de Hugo Motta.
Euler de França Belém – E por quê?
O Hugo Motta tem dado estabilidade ao país e aprovado pautas importantes na Câmara Federal. Então, nós temos total consideração por ele e, evidentemente, vou apoiá-lo para a reeleição, como já declarei.

Em relação ao gabinete, fiz o pedido ao departamento competente da Câmara Federal para ocupar um gabinete no térreo do Anexo 3. Já tenho visitado a Câmara Federal, participado de reuniões da nossa bancada do União Brasil, de reuniões com o presidente Hugo Motta e com líderes de outros partidos. Então, tenho me aproximado muito da nossa capital federal.
Ton Paulo – O União Brasil vai participar do governo Lula?
Nós ainda não tivemos essa reunião. Não recebemos nenhuma orientação nesse sentido. Então, vamos aguardar o posicionamento do nosso presidente nacional, Antonio Rueda, juntamente com os deputados e senadores do partido.
Ton Paulo – Acha que há uma tendência de ele liberar os filiados para compor o governo, dando independência a cada um, como fez o PSD?
Nós temos que aguardar, até mesmo porque o União Brasil é o terceiro maior partido do país e, evidentemente, todas as decisões são tomadas de maneira colegiada. Então, precisamos aguardar a reunião da bancada, entre deputados federais, senadores e a direção nacional, com o nosso presidente Rueda, para tomarmos uma decisão em conjunto.
Ton Paulo – Mas, no caso do senhor, se realmente houver essa liberdade e independência, o senhor vai se situar mais na oposição ou na base do governo federal?
Vou trabalhar para melhorar a qualidade de vida do nosso povo brasileiro, em especial da população do Estado de Goiás. Matérias que forem positivas, votarei favoravelmente. Matérias contrárias ao povo e aos interesses da população brasileira, votarei contra.
Então, quanto a esse posicionamento de ser base ou oposição, vou votar com a população do nosso país. Aquilo que trouxer benefícios, independentemente de ser ou não uma proposta do governo, votarei favoravelmente.

Euler de França Belém – E qual vai ser o foco da sua atuação na Câmara? Em quais áreas o senhor pretende atuar mais?
Eu sou municipalista. Quero fortalecer os municípios, trabalhar para que os municípios goianos tenham recursos garantidos para infraestrutura e consigam ter independência financeira.
Vou trabalhar muito também para que, com a nova legislação tributária, o Estado de Goiás volte a ter condições de conceder incentivos fiscais. O IBS e o IVA foram aprovados, publicados, e isso é uma realidade. Porém, para atrair empresas para Goiás, precisamos de incentivos fiscais. Então, vou trabalhar para que possamos ter esses incentivos no Estado.
Euler de França Belém – Você acha que isso é possível?
Sim, vamos trabalhar na Comissão de Desenvolvimento Econômico e mostrar que Goiás precisa de incentivos. Não apenas o Estado de Goiás, mas todo o Centro-Oeste necessita de incentivos.
Ton Paulo – Qual vai ser o primeiro projeto de lei que o senhor pretende apresentar na Câmara Federal?
Nós já estamos analisando vários projetos, entre eles o fortalecimento dos municípios e a garantia de recursos para infraestrutura. E, como eu disse, há duas pautas que merecem muita atenção: o fortalecimento dos municípios e o retorno dos incentivos fiscais para o Centro-Oeste.
Ton Paulo – O senhor vai pleitear o comando de alguma comissão na Câmara? Pensa nisso? Considera essa possibilidade?
É o nosso primeiro mandato, então tenho muito a aprender antes de pedir à nossa bancada posições estratégicas dentro do partido para contribuir com o país. Tenho que analisar muito, adquirir conhecimento e ter capacidade para isso. E, quando digo capacidade, é porque, por mais que eu tenha 26 anos de vida pública, trata-se de um mandato novo.
Eu sou municipalista. Quero fortalecer os municípios, trabalhar para que os municípios goianos tenham recursos garantidos para infraestrutura e consigam ter independência financeira
A população do Estado de Goiás nos escolheu. Serei a voz dos goianos, vou representar os goianos. Então, para qualquer função que o partido me designar, preciso ter conhecimento e capacidade. Se eu perceber que posso desempenhar uma função que traga orgulho ao povo goiano, aí sim vou aceitar a presidência de uma comissão ou uma função de vice-líder. Ainda tenho que analisar o que será colocado à disposição do nosso partido, que é o terceiro maior do país.
Ton Paulo – A oposição ao presidente Lula, tão logo saiu o resultado do segundo turno, começou a falar em anular a eleição. Esse discurso foi superado, mas agora fala em pedir o impeachment. O senhor concorda com essa tese? Acha que ela pode prosperar na Câmara?
Nós temos que entender que a população do nosso país fez sua escolha e cabe a nós, parlamentares, ajudar o país a se desenvolver, e não criar obstáculos.
A população escolheu o presidente, as eleições acabaram. Já reconhecemos a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e, como parlamentar, vou trabalhar para gerar empregos, renda e melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro. Esse tem que ser o nosso objetivo.

Ton Paulo – O senhor está como governador em exercício. Qual é a sua expectativa para esses seis dias em que ficará no Palácio?
Nós vamos percorrer os municípios, ouvir os prefeitos, vereadores, lideranças e a população. Evidentemente, estarei ali representando o Governo do Estado de Goiás. É uma oportunidade ímpar.
Já agradeço a Daniel Vilela e a Ronaldo Caiado. Realmente, é uma posição que me traz muito orgulho, e a maneira que tenho de retribuir é trabalhando.
Ton Paulo – E vai ser a primeira experiência do senhor no Executivo, não é? Em 2028, o senhor pode buscar um novo cargo no Executivo, desta vez municipal?
Está muito cedo. Todos sabem do carinho que tenho pelo prefeito Sandro Mabel e vou apoiá-lo na sua reeleição, caso ele seja candidato.
A população escolheu o presidente, as eleições acabaram. Já reconhecemos a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva
Ton Paulo – O senhor vai apoiar Sandro Mabel na reeleição?
Sandro Mabel na reeleição, caso ele seja candidato.
Ton Paulo – E há essa possibilidade de ele não ser candidato?
Não, só estou dizendo porque, se ele falar “não sou candidato”, eu estou dizendo que o apoio, mas e se ele disser “não, não vou me candidatar”?
Ton Paulo – Aí o senhor é candidato?
Meu apoio é a Sandro Mabel.
Ton Paulo – Então o senhor descarta uma candidatura em 2028 para o Executivo, para a prefeitura?
O meu apoio é para Sandro Mabel.
Euler de França Belém – E como o senhor avalia a gestão dele?
Tem evoluído. Ainda tem muito a avançar, mas tem evoluído positivamente.
Todos sabem do carinho que tenho pelo prefeito Sandro Mabel e vou apoiá-lo na sua reeleição, caso ele seja candidato
Euler de França Belém – Mas tem muito a avançar porque a gestão anterior foi muito ruim? Então ele não está fazendo apenas a gestão dele, mas também uma gestão de recuperação?
Ele está construindo, não é? E isso é natural.
Ton Paulo – O senhor anunciou que vai devolver R$ 100 milhões ao Tesouro estadual, referentes às sobras do duodécimo. Como vai funcionar essa devolução?
Nós já devolvemos mais de meio bilhão de reais e vamos fazer a devolução de mais R$ 100 milhões. Hoje, no caixa da Assembleia Legislativa, temos R$ 193 milhões. Vamos devolver R$ 100 milhões e deixar em caixa um recurso ainda considerável para a próxima gestão.
Entrevistador – Esses R$ 100 milhões serão devolvidos quando?
Estou conversando com o presidente da Assembleia Legislativa, Issy Quinan, para definirmos juntos a data. Ele assumiu a presidência e vamos dialogar sobre a possibilidade de fazer essa devolução neste momento ou aguardar o retorno de Daniel Vilela, para que possamos fazer uma entrega por parte de todos os deputados e deputadas. Então, ainda estamos analisando.
É evidente que tenho um sonho, uma vontade e uma determinação. E, modéstia à parte, capacidade, preparo e conhecimento para exercer a função de prefeito da cidade de Goiânia
Euler de França Belém – E Issy Quinan é o candidato mais forte para ser presidente da Assembleia?
O Issy é o meu vice-presidente. Durante o processo eleitoral, recebi o apoio da esposa dele, Thaís, na cidade de Palmeiras. Issy contribuiu muito com a nossa eleição em Vianópolis e Goiânia. É um grande amigo, tenho muito carinho por ele.
Euler de França Belém – E para a presidência da Assembleia?
É um grande candidato. Nós temos excelentes nomes.

Euler de França Belém – Quais?
Eu pedi a Daniel Vilela e a Ronaldo Caiado que tivéssemos uma regra: que fosse um deputado reeleito, ou seja, desta legislatura, e da base. Todos os deputados e deputadas têm capacidade para assumir a presidência da Assembleia. O Issy tem se destacado, é o nosso primeiro vice-presidente, então tem acompanhado de perto a nossa gestão.
Nós temos Virmondes Cruvinel e Talles Barreto, que têm muita experiência e capacidade; Wilde Cambão, querido por todos; Charles Bento, que também é muito querido na Casa; Cairo Salim, que tem uma capacidade de articulação imensa; e Wagner Camargo Neto, que é muito trabalhador e um dos deputados com maior articulação interna.
O deputado Jamil Calife também tem um perfil formidável. Então, nós temos grandes nomes e entendo que esse processo vai se afunilar. A Assembleia está muito madura e tenho certeza de que teremos uma candidatura de consenso. É questão de tempo.
Nós vamos ter o momento desse diálogo do União Brasil com Daniel Vilela e, nessa ocasião, vamos apresentar nomes que tenham capacidade e possam contribuir efetivamente com o governo
Euler de França Belém – Em política não existe cedo. Em política só existe tarde, cedo nunca. Quem quiser ser governador ou prefeito tem que começar a se colocar agora. Você tem um perfil político voltado para o Executivo. Sonha em ocupar um cargo no Executivo algum dia?
É evidente que tenho um sonho, uma vontade e uma determinação. E, modéstia à parte, capacidade, preparo e conhecimento para exercer a função de prefeito da cidade de Goiânia.
Euler de França Belém – Precisa ser em 2028?
Não necessariamente em 2028. Em 2028, vou apoiar Sandro Mabel no seu projeto de reeleição, caso seja candidato.
Euler de França Belém – Se ele não for candidato, é possível?
Se não for, sim.
Euler de França Belém – Você defendeu que o Delegado Waldir deve ser acolhido pelo governador Daniel Vilela. E tem o Lincoln Tejota também. Como vai ficar a situação dos dois e de outros nomes?
Nós vamos ter o momento desse diálogo do União Brasil com Daniel Vilela e, nessa ocasião, vamos apresentar nomes que tenham capacidade e possam contribuir efetivamente com o governo.
Ton Paulo – Esse primeiro ano de legislatura, na sua avaliação, será turbulento na Câmara? Estamos vindo de uma eleição bastante turbulenta. O senhor acredita que será um ano de turbulência no Legislativo federal?
Temos que trabalhar pensando em produzir para a sociedade e melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro. O povo brasileiro, em especial a população do Estado de Goiás, não quer ver brigas. Quer ver resultados que melhorem a qualidade de vida.
É isso que temos que fazer. Então, vou trabalhar sempre com esse objetivo. Espero que direita e esquerda entendam que as eleições passaram. Agora é hora de produzir para o país. E nós temos, na nossa gestão, o Selo Diamante de Transparência.
Euler de França Belém – O que vai ser feito do Peixotinho, seu mascote na Alego?
Estou analisando e vou consultar um veterinário, porque gosto muito dele e tenho receio de mudá-lo de local, já que está muito acostumado com a Alego.
O post Bruno Peixoto: “É evidente que tenho um sonho e, modéstia à parte, preparo para exercer a função de prefeito de Goiânia” apareceu primeiro em Jornal Opção.
Fonte: www.jornalopcao.com.br

