Família pede nova prisão de acusado pela morte de Morgana Ferreira e cita ameaça a testemunhas

A família de Morgana Clemente Ferreira, jovem de 19 anos encontrada morta após desaparecer na Cidade de Goiás em outubro do ano passado, voltou a pedir a prisão do acusado pelo crime. Segundo a advogada Brasineide Clemente, tia da vítima e assistente de acusação no processo, há preocupação com o fato de o réu responder em liberdade e com relatos de possíveis intimidações a testemunhas.

O caso está na fase de instrução processual e aguarda manifestação do Ministério Público sobre um pedido de nova prisão preventiva apresentado pela acusação. De acordo com Brasineide, o acusado chegou a ser preso logo após as investigações apontarem sua participação no crime, mas obteve liberdade provisória em fevereiro deste ano.

“Logo depois que ele indicou o local e foi apontado pelas investigações, ele ficou preso. Mas a defesa entrou com um pedido e conseguiu a soltura em fevereiro. Desde então, ele responde ao processo em liberdade”, afirmou Brasineide em entrevista ao Jornal Opção. A advogada disse que o pedido de nova prisão foi protocolado após o acusado deixar a Cidade de Goiás sem informar formalmente a mudança de endereço durante parte da tramitação do processo.

“Ele não está mais morando na cidade. Pelo que foi informado, estaria vivendo em Novo Brasil. Essa informação não constava nos autos inicialmente e só foi apresentada depois do pedido de prisão”, declarou. Segundo Brasineide, outro fator que motivou o pedido foi a suspeita de ameaças envolvendo testemunhas do caso.

“A mãe da vítima recebeu relatos sobre possíveis ameaças. Isso também foi levado ao conhecimento da Justiça. Entendemos que existem elementos que justificam uma nova avaliação da prisão preventiva”, disse. A advogada relatou ainda que o acusado não compareceu a uma das audiências do processo, situação que levou ao reconhecimento de sua revelia.

Posteriormente, ele participou de outro ato processual por videoconferência. “Na primeira audiência ele não compareceu e foi declarada a revelia. Depois, na audiência seguinte, ele participou de forma virtual. Agora estamos aguardando o posicionamento do Ministério Público sobre o pedido de prisão”, explicou.

Relacionamento e desaparecimento

Brasineide também relembrou os acontecimentos da madrugada em que Morgana desapareceu. Segundo ela, familiares e amigos acreditam que a jovem mantinha um relacionamento com o acusado, embora não tivesse revelado oficialmente sua identidade.

“A Morgana comentou que estava namorando alguém, mas disse que ainda não queria revelar quem era. Falava que logo contaria para a família”, relatou.

Na noite do desaparecimento, Morgana participou de uma confraternização com amigos. De acordo com a advogada, o acusado fazia parte do mesmo grupo e chegou ao encontro durante a madrugada.

“Eles passaram parte da noite com os amigos. Depois, quando o grupo começou a se dispersar, os dois permaneceram juntos. Foi a última vez que ela foi vista”, afirmou.

A família começou a procurar a jovem após ela não retornar para casa e não responder às mensagens. Segundo Brasineide, todos os amigos relataram que Morgana havia sido vista pela última vez na companhia do acusado.

“Quando entramos em contato com as pessoas que estavam no grupo, todos disseram a mesma coisa: que a última pessoa que esteve com a Morgana foi ele”, contou.

Corpo foi localizado

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou inconsistências nos relatos apresentados pelo acusado. Conforme a advogada, ele inicialmente afirmou ter deixado Morgana em um local conhecido como Poço da Sota.

“Ele dizia que tinha deixado a Morgana lá e que não sabia mais o que havia acontecido. Mas as investigações continuaram”, afirmou.

Posteriormente, o corpo da jovem foi encontrado em outro ponto da região. A polícia prendeu o suspeito e o indiciou por feminicídio. O Jornal Opção não conseguiu contato da defesa do acusado.



Jornal Opção